O que Zema e Tadeuzinho conversaram nesta segunda-feira (10)

Chefes do Executivo e do Legislativo de Minas Gerais se reuniram em Belo Horizonte
Romeu Zema e Tadeu Leite
Tadeu Leite e Romeu Zema se reuniram em BH. Foto: Alexandre Netto/ALMG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), se reuniram nesta segunda-feira (10), em Belo Horizonte. O Fator apurou que Zema aproveitou o encontro para expor a Tadeuzinho os motivos que o levaram a incluir a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), desde que convertida em corporação, na lista de ativos aptos a entrar na lista do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). 

Os chefes de Executivo e Legislativo costumam se reunir periodicamente para trocar atualizações a respeito das atividades dos Poderes que comandam. A agenda desta segunda-feira também teve esse caráter.

Embora Zema tenha citado a Cemig, a reunião não tratou especificamente de uma eventual tramitação do projeto de lei que autoriza a transformação da energética em uma corporação.

Como O Fator já mostrou, interlocutores da Assembleia Legislativa não acreditam no avanço da proposta dando sinal verde à pulverização das ações da Cemig. O texto chegou ao Parlamento em novembro do ano passado, mas ainda não começou a percorrer o caminho das comissões.

Fatia de R$ 13,5 bilhões

Hoje, o governo de Minas Gerais possui 51% das ações da Cemig. Como não é dono de nenhum título preferencial da companhia, o estado tem, na prática, uma fatia acionária de R$ 17 bilhões. A oferta feita por Zema à União é pelo repasse de tal porção, avaliada em R$ 13,5 bilhões.

Com a transformação da estatal em uma corporação, o poder público ainda conservaria a chamada golden share, que dá direito a veto em decisões estratégicas.

Em ofício encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) na quinta-feira (5) e obtido por O Fator, Zema e o vice-governador, Mateus Simões (PSD), dizem que a transformação de todas as ações do poder público na Cemig em títulos ordinários “permitirá a absorção (pela União) da relevante valorização das ações da companhia detidas pelo Ente Federado”.

Dissonância

Antes de o governo do estado decidir inserir a Cemig nas tratativas do Propag, Tadeu Leite chegou a sinalizar publicamente que a Assembleia não analisaria, por ora, o projeto para a desestatização da energética.

Originalmente, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim do referendo para a privatização da Companhia de Saneamento (Copasa), aprovada em 2° turno na semana passada, também tratava da Copasa. 

Em setembro, contudo, a companhia de distribuição de luz foi excluída do texto. A mudança, feita pelo relator do assunto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Thiago Cota, do PDT, atendeu a uma recomendação pública feita por Tadeuzinho.

O presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi, é um dos defensores da conversão da empresa em corporação como etapa prévia ao repasse à União. No mês retrasado, durante entrevista à IstoÉ Dinheiro, o executivo afirmou que a mudança de modelo facilitaria a renovação da concessão de usinas e ajudaria a ampliar a atuação da estatal mineira no mercado livre de energia.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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