Por que CCJ da Assembleia adiou a votação da PEC do fim do referendo

Governo do estado tenta retirar, da Constituição Mineira, exigência de consulta popular para a venda de estatais
Reunião da CCJ da Assembleia de Minas
Deputados da CCJ se reuniram nesta quarta-feira (25). Foto: Daniel Protzner/ALMG

Um acordo nos bastidores da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) adiou, para a próxima semana, a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a necessidade de referendo popular para autorizar a venda de estatais. O texto estava na pauta de uma das reuniões da CCJ desta quarta-feira (23), mas uma costura para viabilizar a aprovação de outros textos postergou a análise da PEC.

Deputados de oposição ao governo de Romeu Zema (Novo) têm marcado posição contrária à PEC. Diante da possibilidade de uma obstrução que poderia se alongar por horas, os parlamentares da CCJ fecharam um acordo para votar duas propostas nesta quarta: uma, estabelecendo a criação de um programa de treinamento jurídico na Defensoria Pública do Estado; outra, para desenvolver uma política voltada à melhoria da conectividade aos telefones celulares no estado.

A tendência, agora, é que a PEC do fim do referendo volte à pauta da comissão na segunda-feira (30). O Executivo estadual inseriu o texto no bojo das propostas relacionadas ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). 

O entendimento é que a extinção do referendo pode agilizar, inclusive, os trâmites necessários para a eventual federalização de empresas como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). 

O projeto também pleiteia o fim da necessidade de quórum qualificado no plenário da Assembleia para a aprovação da venda de estatais. Quando o quórum qualificado é exigido, ao menos 48 dos 76 deputados com direito a voto precisam se manifestar favoravelmente. 

O plano é fazer com que negociações de ações estatais necessitem apenas do apoio de maioria simples dos parlamentares — o que significa 34 votos em caso de plenário com capacidade máxima.

A exigência de referendo para a venda de empresas como a Cemig e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) passou a constar na Constituição de Minas durante o governo Itamar Franco (1999-2002).

A PEC do fim do referendo chegou à Assembleia em outubro de 2023, mas só começou a tramitar neste mês. O relator da sugestão de emenda na CCJ, Thiago Cota (PDT), opinou pelo fim da exigência de consulta popular

“Trata-se de decisão política a cargo dos representantes do povo mineiro, não havendo, na Constituição da República, regra de simetria que exija quórum qualificado prevista no parágrafo 15 do artigo 14 da Constituição do Estado, e nem mesmo referendo popular previsto no parágrafo 17 do artigo 14 da Constituição Estadual”, escreveu Cota, ao justificar o parecer pela aprovação da medida.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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