Por que repasse de imóveis de Minas à União não está na pauta da sessão ordinária da CCJ da Assembleia

Análise de proposta de Zema para abater dívida com o governo federal deverá acontecer em reunião extraordinária da comissão
O Palácio das Artes
Palácio das Artes está na lista de imóveis mineiros que podem ser repassados à União. Foto: Rafael Cobucci/Imprensa MG

Marcada para esta terça-feira (3), tradicional sessão ordinária semanal da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que costuma abrir a semana parlamentar da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), não tratará do projeto que autoriza o repasse de imóveis do estado à União como forma de abater uma dívida superior a R$ 162 bilhões. Pelo que O Fator apurou, se a proposta for analisada pela CCJ nesta terça, isso acontecerá em reunião extraordinária, já durante a tarde.

A votação não ocorrerá na sessão ordinária, que ocorre durante as manhãs, porque a reitora da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Lavínia Rosa Rodrigues, solicitou uma audiência com o presidente da CCJ, Doorgal Andrada (PRD). O parlamentar é o relator da proposta que autoriza a cessão das imóveis ao governo federal, enquanto a Uemg, além de ter edificações na lista de bens que pode ser envolvida na negociação com a União, tem a federalização cogitada como outra ponte para a amortização do débito.

Como a reportagem vem mostrando ao longo dos últimos dias, a equipe do governador Romeu Zema (Novo) preparou uma relação com 343 imóveis que podem ser utilizados para diminuir a dívida com a União. A transferência dos bens ocorreria no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), cujo texto-base foi aprovado na semana passada pela Assembleia.

A lista de imóveis tem ativos como a Cidade Administrativa, o Hospital Risoleta Neves, o Palácio das Artes e o colégio Estadual Central, todos em Belo Horizonte.

Na última reunião da CCJ, Doorgal Andrada apresentou parecer favorável à aprovação do projeto que trata do repasse dos empreendimentos, mas os dividiu em três categorias:

  • Edificações de propriedade do estado (143);
  • Edificações de propriedade de autarquias (129);
  • Edificações de propriedade de empresas públicas e de sociedades de economia mista (73).

O relatório diz que, para que possam ser envolvidos nas negociações com a União, os imóveis pertencentes a autarquias ou a empresas públicas precisam ser doados ao patrimônio do estado. Aí, então, os ativos estarão aptos a compor as tratativas com o Ministério da Fazenda. 

No texto, Doorgal ainda sublinha a necessidade de que a lei sobre a transferência dos imóveis deixe claro que, mesmo em caso de negociação direta dos bens com a iniciativa privada, os recursos serão exclusivamente destinados ao pagamento do débito com o governo federal.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

A ausência de Cleitinho em congresso da AMM, em que dividiria palco com Kalil e Gabriel Azevedo

A ‘angústia’ (e a compreensão) de nomes do Republicanos sobre a indefinição de Cleitinho em Minas

TCE-MG barra entrada do Master na lista de bancos aptos a conceder empréstimos a servidores

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse