Projetos de reajuste a servidores devem apressar votação de vetos de Zema na ALMG

Semana pode ser a última com trava impedindo a votação de novas propostas no plenário do Parlamento estadual
O plenário da Assembleia de Minas
Semana deve ser agitada na Assembleia de Minas. Foto: Daniel Protzner/ALMG

Chamados para sessões de votação em plenário na terça-feira (8), na quarta-feira (9) e na quinta-feira (10), os deputados estaduais de Minas Gerais devem analisar, ainda nesta semana, os vetos do governador Romeu Zema (Novo) a seis propostas anteriormente aprovadas pela Assembleia. Essa, ao menos, é a expectativa de interlocutores de diferentes alas do Parlamento. 

O entendimento é que o avanço, na semana passada, de projetos de lei sobre reajuste a servidores públicos, farão com que os parlamentares apressem a apreciação dos vetos. Sem que isso aconteça, nenhum novo texto pode ser votado em plenário. Nas últimas semanas, a oposição obstruiu a votação dos vetos. Uma das sessões chegou a ser encerrada com poucos minutos por ausência de quórum.

A lista de textos sobre aumentos salariais tem projeto que autoriza uma revisão de 3,69% nos proventos dos servidores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O mesmo índice de recomposição é pleiteado pelo Ministério Público (MPMG). Os dois projetos, que preveem a concessão de valores retroativos referentes a maio do ano passado, já estão prontos para votação em primeiro turno no plenário.

Também pronto para o plenário em primeiro turno está a proposta de reajuste de 16,02% a profissionais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). O percentual corresponde ao acúmulo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015 e de 2024.

Já a Defensoria Pública solicita aumento de 4,55%, considerando o IPCA acumulado entre fevereiro do ano retrasado e janeiro do ano passado. Assim como os três outros projetos, o texto já pode ser analisado em primeiro turno.

O pacote de revisões salariais ganhou um novo componente na semana passada, quando Zema enviou à Assembleia uma mensagem oferecendo reajuste de 5,26% aos servidores da educação básica estadual. A revisão salarial dos professores está em fase menos avançada e ainda aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Os vetos

A relação de vetos de Zema com deliberação pendente tem, por exemplo, emenda ao orçamento deste ano autorizando o rateio de recursos remanescentes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) entre profissionais do ensino público estadual.

À época da publicação do veto, em dezembro do ano passado, interlocutores do governo explicaram que a decisão foi tomada porque não houve sobras na poupança. Ainda conforme relataram fontes à reportagem, o estado conseguiu aplicar ao menos 70% dos ganhos com o Fundeb no pagamento de salários. O atingimento da cota também inviabiliza o rateio

O Executivo estadual também barrou a alocação de recursos para apoio a famílias com crianças autistas. As cifras serviriam para custear uma política pública voltada à assistência social e a pessoas com deficiência (PCDs). No rol de contemplados com a medida, são citados responsáveis exclusivos por crianças atípicas, que, impossibilitados de trabalhar fora e sem verba para bancar cuidadores, receberiam um auxílio financeiro.

Ao justificar o veto, Zema afirmou que, para viabilizar a concessão do auxílio, seria preciso cancelar o aporte de cifras na política estadual de desestatizações.

“Desse modo, o cancelamento de valores pretendidos inviabiliza a efetivação da ação, que consiste na opção por uma política pública de desestatização de empresas públicas, a qual envolve estudos técnicos transdisciplinares, análise de múltiplos cenários e diálogos intersetoriais e interinstitucionais que passam pela avaliação da primazia do interesse público em situações concretas e específicas”, escreveu o governador, ao publicar o ato que barrou a ideia.

O arcabouço de vetos ainda tem a proibição ao aumento do teto das gratificações concedidas a algumas carreiras da Secretaria de Estado de Fazenda.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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