Propag: Zema autoriza BNDES a iniciar avaliação da Cemig para abatimento da dívida

Banco fará o chamado processo de ‘request for information’, primeiro passo para a construção do laudo que vai apontar valor de mer
O prédio da Cemig
Cemig pode ser federalizada no âmbito do Propag. Foto: Clarissa Barçante/ALMG

O governo de Minas Gerais deu mais um passo para integrar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), iniciativa do governo federal que permite o abatimento da dívida com a União por meio do repasse de ativos estaduais. A movimentação foi formalizada por meio de fato relevante publicado pela estatal após o fechamento do mercado, nesta sexta-feira (1°).

Segundo o comunicado, o Estado, acionista controlador da empresa, autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) a abrir um processo de Request for Information (RFI) — pedido de informação, em português. Trata-se de uma etapa preliminar, sem caráter vinculante, que visa identificar consultores técnicos interessados em elaborar um laudo de avaliação econômico-financeira da companhia. O BNDES também foi autorizado a iniciar o RFI da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), outra empresa cujo repasse foi proposto ao Executivo federal.

Esse laudo será usado como base para calcular o valor da Cemig na quitação de parte da dívida estadual com a União. Segundo o decreto que regulamentou o Propag, cabe ao BNDES a realização dos exames que vão definir quanto valem as companhias oferecidas pelos estados à União. O texto permite que o banco faça a avaliação de forma autônoma, mas também abre brecha para a contratação de uma consultoria externa que atuaria de forma supervisionada.

O movimento é mais um capítulo da estratégia do governador Romeu Zema (Novo) para reduzir o endividamento de Minas Gerais, que ultrapassa os R$ 160 bilhões.

O eventual ingresso da Cemig no Propag ainda dependerá de etapas adicionais, como a conclusão do laudo técnico, aprovação da Assembleia Legislativa (ALMG) e, por fim, aval da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

O governo de Minas tem 17,5% das ações da Cemig. Nas contas do Executivo estadual, tal fatia societária representa um valor entre R$ 7 bilhões e R$ 7,5 bilhões.

Temor por prazos

A data-limite para ingresso no Propag é 31 de dezembro, mas as ofertas de federalização de ativos precisam ser encaminhadas ao governo federal até 30 de outubro. No mês retrasado, o BNDES informou ao vice-governador de Minas, Mateus Simões (Novo), que processos de avaliação de empresas públicas, considerando o expediente adotado no Programa Nacional de Desestatização (PND), costumam demorar até um ano.

Diante da informação, repassada pelo diretor de Planejamento do banco, Barbosa, Simões passou a projetar que os laudos a respeito das estatais mineiras poderiam ficar prontos apenas em meados de 2026. Por isso, o estado passou a defender a contratação, por conta própria, de laudos iniciais de avaliação, a fim de não fazer as negociações com a União perderem velocidade.

A ideia do uso prévio de laudos externos, com o BNDES entrando posteriormente na equação, com a apresentação de uma avaliação definitiva, chegou a ser sugerida pelo banco à STN.

Outra ideia à mesa diz respeito à possibilidade de o BNDES estabelecer um preço de referência de cada um dos ativos oferecidos pelos estados. Os valores-base serviriam para permitir o avanço das negociações e, posteriormente, seriam corrigidos com a avaliação definitiva.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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