Renegociação da dívida de Minas pode ter ‘dia D’ nesta terça-feira (13)

Texto de Pacheco para amortizar débitos estaduais com a União está na pauta do plenário do Senado e pode avançar
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

O processo de renegociação da dívida de R$ 165 bilhões contraída por Minas Gerais junto à União deve ter uma importante etapa se desenrolando ao longo desta terça-feira (13). Isso porque, durante a tarde, o Senado Federal deve votar, no plenário, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), de autoria do presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A proposta, apresentada na forma de Projeto de Lei Complementar (PLP), tramita em regime de urgência. O texto, visto como caminho para a amortização da dívida mineira, foi um dos motivos da interrupção da análise, na Assembleia Legislativa, da adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

A federalização de ativos estaduais é o pilar da proposta de Pacheco. No caso de Minas Gerais, estatais como a Codemig poderiam ser repassadas à União a fim de abater parte da dívida

Atualmente, as dívidas são calculadas por uma fórmula que considera o Índice de Preços Amplo ao Consumidor (IPCA) + 4%. Nos termos da proposta de Pacheco, governos locais que diminuírem ao menos 20% de seus passivos por meio do repasse de bens à União poderão utilizar uma taxa de juros anual baseada em IPCA + 2%.

Os dois pontos percentuais que excedem o IPCA, entretanto, terão outras destinações em vez de servirem como “juros simples”. Um ponto percentual terá de ser obrigatoriamente transformado pelos estados em investimentos em áreas como educação, segurança e infraestrutura.

O outro ponto percentual será destinado a um fundo financeiro voltado a todas as unidades federativas — os critérios do rateio dessa poupança de equalização, contudo, ainda geram controvérsia. Prova disso é que governadores do Nordeste tentam com que a divisão “espelhe” as regras do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

No STF

A necessidade de Minas Gerais fazer os depósitos referentes às parcelas da dívida, cabe lembrar, está suspensa até o próximo dia 28. Na sexta-feira (16), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa o julgamento virtual que pode referendar a última liminar a suspender as parcelas. A decisão cautelar foi dada pelo ministro Kassio Nunes Marques.

O mérito do caso, por sua vez, será julgado no dia 28. O governo de Minas Gerais já sinalizou, à União, que topa um acordo para retomar as parcelas do débito bilionário a partir de 1° de outubro, nos moldes do RRF — ainda que a entrada no plano não tenha sido votada pelos deputados estaduais. A esperança do Executivo é uma eventual homologação do RRF mineiro por parte do STF.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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