TCU avalia nesta terça (28) se prefeitura mineira devolveu R$ 200 mil de projeto não executado

Nesta terça-feira (28), o relator Bruno Dantas dará continuidade à análise após acórdão assinado em setembro
Ex-prefeito Diego Álvaro falando ao microfone
O ex-prefeito Diego Álvaro durante evento do Seleções do Futuro em São José da Lapa. Projeto chegou a distribuir materiais, mas não houve execução, segundo a versão dele. Foto: reprodução/Facebook da Prefeitura de São José da Lapa.

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai avaliar, nesta terça-feira (28), se a Prefeitura de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, devolveu ou não R$ 200 mil ao Ministério do Esporte. Uma análise técnica de servidores da Corte concluiu que não houve execução de um projeto conveniado entre as partes.

Em 2017, o ministério e a prefeitura assinaram um convênio para implantação de um núcleo do Projeto Seleções do Futuro em São José da Lapa. A liberação do recurso aconteceu em 18 de janeiro de 2018, conforme esta publicação do Diário Oficial da União. O objetivo era formar jovens entre 6 e 17 anos para o futebol de base, tanto masculino quanto feminino, a partir de seis categorias diferentes, do pré-fraldinha (6 e 7 anos) até o juvenil (16 e 17 anos).

A avaliação desta terça depende da Caixa Econômica Federal, a quem cabe comprovar a eventual devolução dos valores. Em acórdão assinado em setembro, o relator do caso, Bruno Dantas, deu 15 dias — prazo já vencido atualmente — para que o banco atestasse os pagamentos.

O caso

A análise do TCU a respeito do convênio mostrou que não houve promoção do projeto nem a devolução da totalidade do dinheiro público. Procurado pela reportagem, o prefeito de São José da Lapa à época, Diego Álvaro (eleito pelo Avante), afirmou que a pandemia impediu a realização do programa.

“Embora o município tenha realizado a aquisição de uniformes, equipamentos e acessórios, a ação efetiva — que dependia de profissionais, monitores e professores — foi inviabilizada pelas restrições sanitárias. Na época, as autoridades de saúde recomendavam evitar qualquer tipo de aglomeração, impedindo as atividades práticas previstas”, escreveu o ex-prefeito em nota.

“Por este motivo, o projeto não atingiu sua plena execução, o que motivou a abertura de uma Tomada de Contas Especial (procedimento do TCU). O município responderá formalmente ao processo, demonstrando que a execução seguiu os moldes possíveis diante do cenário de calamidade pública daquele período”, concluiu Diego Álvaro no texto enviado a O Fator.

Mesmo fora do Executivo, ele é apoiador da atual prefeita, Márcia Lopes (PP).

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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