Propag: a dor de cabeça da secretaria que cuida do patrimônio da União com os imóveis de Minas

Fora das tratativas, órgão que deve receber os bens lida com pedidos via LAI e de outros órgãos sem ter prazo para informar
Fachada do Espaço do Conhecimento da UFMG
Espaço do Conhecimento da UFMG (em azul na foto) está na lista de prédios que podem ser usados para abater dívida com a União. Foto: Divulgação

Na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a lista de imóveis oferecidos pelo governo de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) virou dor de cabeça.

Criado pela União, o modelo permite que os estados renegociem suas dívidas com o governo federal e abatam parte delas com a entrega de bens e ativos, como imóveis.

Minas aderiu ao Propag em 31 de dezembro de 2025, e uma lei estadual autorizou a transferência de 191 imóveis à União. Desde então, chegam pedidos e mais pedidos sobre eles à secretaria, vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), que não tem o que responder.

A negociação está com o Ministério da Fazenda, por meio do Tesouro Nacional. A SPU, que deve receber os bens, ficou de fora. Por isso, não consegue informar nem um prazo.

As perguntas chegam pela Lei de Acesso à Informação (LAI), por e-mail e por órgãos públicos de olho em conseguir ficar com a posse desses prédios, casas ou terrenos.

A resposta de que a SPU está fora da negociação tem causado desconforto interno, segundo fontes, uma vez que cabe à pasta receber os imóveis e incorporá-los ao patrimônio da União.

Em setembro, a secretaria chegou a informar, via LAI, que nem recebeu oficialmente a lista dos imóveis. Ainda assim, continua alvo de recursos de quem insiste em uma resposta.

Na prática, as dúvidas vão parar no órgão, que vê a demanda crescer mesmo sem acesso às tratativas conduzidas pela Fazenda. “Só que não há informação para repassar a quem pergunta”, resume uma fonte.

O próprio Tesouro também não tem data. Como mostrou O Fator, em agosto, o órgão informou à Assembleia Legislativa (ALMG) que não há prazo para a União aceitar os bens.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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