Votação de veto de Zema na Assembleia tem racha na bancada do PL

Deputados do partido adotaram posições divergentes em análise de texto sobre boletos e carnês de cobrança
Bruno Engler é o líder da bancada do PL na Assembleia. Foto: Luiz Santana/ALMG
Bruno Engler é o líder da bancada do PL na Assembleia. Foto: Luiz Santana/ALMG

A bancada do Partido Liberal (PL) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se dividiu nesta terça-feira (8), durante a análise do veto do governador Romeu Zema (Novo) a um projeto de lei que proibia fornecedores de repassar aos consumidores os custos de emissão de documentos de cobrança, como boletos bancários e carnês. A maioria dos deputados do PL presentes ao plenário não seguiu a orientação do líder da legenda, Bruno Engler, e votou pela manutenção do veto, posição que acabou vitoriosa.

A votação terminou com 39 deputados ratificando o veto e outros 14 defendendo a derrubada. No PL, seis parlamentares votaram pela manutenção da decisão de Zema. Outros três — Engler, Eduardo Azevedo e Sargento Rodrigues, autor do projeto sobre os custos dos boletos — opinaram pela revogação do veto.

No grupo de liberais que votou pela manutenção do veto, estavam Amanda Teixeira Dias, Coronel Henrique, Delegada Sheila, Gustavo Santana, Lincoln Drumond e Marli Ribeiro.

Até fevereiro deste ano, o PL compunha um dos blocos de apoio a Zema na Assembleia. A legenda, entretanto, decidiu desembarcar da base aliada e passou a atuar como bancada independente.

Mesmo com o partido adotando o formato de bancada independente, parte dos deputados do PL continua com postura governista, o que ajuda a explicar a posição desta terça-feira.

Antes da votação, Bruno Engler discursou aos correligionários reivindicando apoio à derrubada do veto. 

“De maneira muito breve, gostaria de pedir aos colegas de bancada do PL que votassem pela derrubada do veto, uma vez que se trata de matéria meritória — e de autoria de nosso colega Sargento Rodrigues”, disse.

A posição do líder do PL foi contraposta por João Magalhães (MDB), líder do governo Zema na Assembleia.

“Esse artigo, apesar de meritório, invade competência exclusiva da União”, falou.

O apontamento de Magalhães está relacionado à justificativa que o chefe do Executivo enviou à Assembleia ao vetar o projeto de Sargento Rodrigues. De acordo com Zema, em que pese a boa iniciativa do deputado, uma eventual mudança nas regras para a emissão de boletos de cobrança tem o Direito Civil, ligado à União, como pano de fundo.

Mudança de rota

Em outra votação de veto, o governo Zema mudou de rota e liberou parlamentares aliados a votarem pela derrubada do veto a um texto que autoriza a destinação de recursos para centros regionais de apoio a pessoas com deficiência (PCDs). 

A reviravolta fez com que o veto à possibilidade de envio de verba aos centros de referência fosse derrubado por 61 votos a 0. 

“O governo, ao analisar melhor o veto, nos autorizou a encaminhar pela derrubada, a pedido do secretário Marcelo Aro, um defensor da causa, e da sensibilidade de nosso governador”, explicou João Magalhães.

Outros vetos ainda trancam a pauta do plenário da Assembleia e impedem a votação de novos projetos de lei. Como já mostrou O Fator, a tendência é que todos os vetos sejam analisados nesta semana, a fim de proporcionar, sobretudo, a apreciação de reajustes pedidos por algumas categorias do funcionalismo público.

Nesta quarta-feira (9), os parlamentares voltarão a se reunir no plenário para tratar dos vetos. Na pauta está, por exemplo, a decisão de Zema de barrar rateio de recursos remanescentes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) entre profissionais do ensino público estadual.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

O que tem embaralhado as conversas entre PL e Republicanos por aliança em Minas

O ‘presente autografado’ de deputada do PL a Cleitinho

Alvo de ação de ex-aliado, vereador de BH alega ter sido vítima de perseguição no MDB

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse