O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) deve trabalhar por um ministério em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo aliados. O mineiro terminou a eleição presidencial em sexto lugar, com 0,27% dos votos válidos.
A avaliação é de nomes do Novo ouvidos por O Fator após a votação de domingo (4). A leitura é de que restam poucas alternativas a Zema no curto prazo na política, já que ele dificilmente disputaria as próximas eleições municipais.
O desempenho foi o pior do Novo em disputas pelo Palácio do Planalto. João Amoêdo teve 2,5% dos votos em 2018, na estreia da legenda, e Felipe d’Avila chegou a 0,47% em 2022, com 559,7 mil votos. Zema recebeu 326 mil votos no país. Desse total, 98,4 mil vieram de Minas Gerais, estado que governou por dois mandatos.
O receio no partido é de que ele repita o destino dos antecessores, que perderam espaço depois da campanha. Amoêdo rompeu com a legenda e hoje é um dos principais críticos do Novo, sem cargo ou mandato. D’Avila atua como comentarista e cientista político.
Aliados consideram a situação de Zema mais delicada. O ex-governador deixou o cargo para tentar chegar a Brasília e ainda viu o sucessor, o governador Mateus Simões (PSD), ser derrotado no primeiro turno pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Com isso, não teria espaço no Executivo estadual.
Relação com Flávio
Na noite de domingo, Zema sinalizou apoio a Flávio no segundo turno. “Onde tiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT”, afirmou. O caminho até uma eventual Esplanada dos Ministérios, contudo, tem obstáculos. Ainda na pré-campanha, Zema criticou a relação do senador com o Banco Master.
Durante a campanha, o ex-governador também recebeu diversos pedidos para abrir mão da candidatura e apoiar Flávio. Em troca, disputaria o Senado e o PL caminharia com Simões em Minas. Zema resistiu e foi surpreendido pelo resultado.
Em São Paulo, o Novo fez o caminho inverso. O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) retirou a candidatura ao Senado a seis dias da eleição para apoiar Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP), ambos eleitos. A expectativa entre aliados é de que Salles consiga espaço em um eventual governo Flávio.
Críticas internas
Entre os ouvidos pela reportagem, a avaliação é de que falta autocrítica ao Novo, o que dificulta o diálogo com outras siglas. As críticas miram a resistência do partido em se aproximar do centro e em apresentar propostas próprias. A legenda, segundo eles, prefere investir em pautas já exploradas por outros nomes da direita, como o antipetismo.
Roscoe no radar
Outro mineiro cotado para um eventual governo Flávio é o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), candidato derrotado ao governo do estado. Segundo o jornal O tempo, são altas as chances de que ele seja convidado, e uma das possibilidades é a pasta ligada à indústria.
Em coletiva na segunda-feira (5), Roscoe não confirmou negociação por ministério, disse que não briga por cargo e afirmou que o senador Flávio Bolsonaro sempre manifestou o desejo de tê-lo por perto.
