Zema pede que STF considere Regime de Recuperação Fiscal de Minas como homologado

Pleito faz parte da ideia do governo do estado de conseguir acordo para retomar prestações à União ainda neste ano
O governador Romeu Zema.
Pedido foi enviado por Zema e chefe da AGE ao STF. Foto: Cristiano Machado/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais pediu, nesta sexta-feira (23), ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, no julgamento da Corte sobre a dívida do estado com a União, no próximo dia 28, o plano de Recuperação Fiscal mineiro seja considerado como se homologado estivesse. O débito gira em torno dos R$ 165 bilhões e está com as parcelas suspensas desde o fim de 2018, mas o Executivo estadual e a Advocacia-Geral da União (AGU) têm debatido, via petições enviadas ao Supremo, as condições para um acordo pela retomada dos pagamentos.

O pleito de Minas para que a Corte considera o plano de Recuperação Fiscal como documento já homologado faz parte das tratativas por um acordo. O projeto que autoriza o estado a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) foi aprovado em 1° turno pela Assembleia Legislativa, mas a votação final não aconteceu porque o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, prorrogou a suspensão das parcelas do passivo até 28 de agosto — a data do julgamento, que não deve ser confundido com a sessão virtual que referendou uma das liminares ampliando a carência do passivo.

“O Estado de Minas Gerais requer, no julgamento do dia 28/08/2024, seja considerado o seu regime de recuperação fiscal, como se homologado estivesse, ainda que provisoriamente, com o envio para assinatura do instrumento previsto no Art. 9º-A da LC 159/2017, para pagamento da primeira parcela a partir de 01/10/2024, enquanto consenso mínimo que acredita ter-se alcançado, e prosseguindo-se a conciliação no âmbito da ACO 3687 (enquanto processo estrutural), já que a União enfatizou a busca pelo consenso após cumprida a parte inicial desse item 12”, lê-se em trecho da petição do governo mineiro, assinada pelo advogado-geral do Estado, Sérgio Pessoa, e pelo chefe do Executivo, Romeu Zema (Novo).

Nessa quinta-feira (22), a AGU afirmou que uma eventual conciliação com o governo de Minas Gerais a respeito da dívida contraída pelo estado junto ao governo federal só poderia acontecer após a retomada das parcelas do débito. A União até concorda com a audiência de conciliação pedida pela equipe de Zema, mas que quer o estado volte a pagar as prestações como se já estivesse no Regime de Recuperação Fiscal. Vem daí, portanto, o pedido do governo de Minas para que o STF considere o plano de Recuperação Fiscal de Minas como homologado.

A homologação provisória, aliás, serviria para dar força a um objetivo já manifestado pelo governo de Minas ao STF: o de voltar a pagar as prestações da dívida em 1° de outubro.

Histórico

Os deputados estaduais de Minas não votaram a adesão ao RRF em 2° turno porque ainda há resistência ao pacote de ajuste econômico entre parte dos parlamentares, que receiam prejuízos ao funcionalismo público e a serviços essenciais. Entre interlocutores políticos mineiros, há o entendimento de que o plano de amortização das dívidas estaduais apresentado pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é o melhor caminho para equacionar as contas do Palácio Tiradentes.

O arcabouço de Pacheco, já aprovado pelo Senado Federal e encaminhado à Câmara dos Deputados, tem a federalização de ativos estaduais como pilar para a redução das dívidas dos governos locais.

A AGU, entretanto, sustentou nessa quinta-feira (22) que, por ora, o RRF deve, neste momento, ser considerado como via única para a renegociação.

“Importante registrar que qualquer negociação a ser entabulada entre as partes deve ter como pressuposto lógico e inafastável a retomada do pagamento do serviço da dívida, seguida da adesão definitiva do Estado de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal. Até o presente momento, não existe outra alternativa que possibilite o refinanciamento do estoque da dívida e a reorganização das finanças estaduais”, argumentou a AGU.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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