Dar vida ao patrimônio é preservar Belo Horizonte

Foto: Ricardo Laf/PBH

Belo Horizonte vive um momento importante de reflexão sobre o futuro do seu patrimônio histórico. Mais do que um debate técnico, trata-se de uma discussão sobre como queremos que a cidade evolua, conciliando preservação, dinamismo urbano e qualidade de vida.

O episódio recente envolvendo um imóvel na Rua da Bahia, que ganhou repercussão nacional com a participação do chef Érick Jacquin, trouxe à tona uma questão que já era sentida por muitos. O desafio de conciliar a proteção do patrimônio com a viabilidade de uso desses espaços.

Belo Horizonte possui hoje mais de dois mil imóveis tombados ou em processo de tombamento. Esse número, por si só, revela a dimensão e a importância do tema. Ao mesmo tempo, também evidencia a necessidade de aperfeiçoarmos continuamente os instrumentos que regem essas políticas. Preservar não pode significar paralisar.

A proteção do patrimônio histórico é um valor inegociável. Ela garante que a memória da cidade seja mantida e respeitada. No entanto, é preciso reconhecer que um imóvel fechado, sem uso e sujeito à deterioração, não cumpre plenamente essa função. Preservar também é cuidar, manter e integrar esses espaços à vida urbana.

É nesse contexto que apresentei um projeto de lei na Câmara Municipal de Belo Horizonte com o objetivo de modernizar alguns processos de autorização para intervenções em imóveis tombados. A proposta busca conferir mais celeridade, previsibilidade e eficiência às análises, especialmente nos casos de intervenções de baixo impacto, como manutenção e adequações necessárias ao uso cotidiano.

A iniciativa não altera as regras de proteção do patrimônio, tampouco reduz a importância do tombamento. Ao contrário, parte do entendimento de que preservar exige também viabilizar. Quando há clareza nos procedimentos e tempo adequado de resposta por parte do poder público, cria-se um ambiente mais favorável para que proprietários e empreendedores invistam na conservação e ocupação desses imóveis.

Cidades que conseguem equilibrar preservação e uso ativo do seu patrimônio são, em geral, mais dinâmicas, mais seguras e mais atrativas. Esse é um caminho possível para Belo Horizonte, especialmente em regiões como o Hipercentro, onde há um enorme potencial de reocupação e revitalização.

Como parte desse processo, convoquei, no próximo dia 8 de abril, às 9h15, uma audiência pública na Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal para discutir o processo de tombamento de imóveis na cidade. O encontro será aberto à participação de especialistas, representantes do poder público, empreendedores e toda a sociedade civil interessada no tema.

A audiência será uma oportunidade importante para ampliar o diálogo, ouvir diferentes perspectivas e construir soluções mais equilibradas e eficientes. O objetivo é justamente esse, avançar com responsabilidade, garantindo que a preservação do nosso patrimônio caminhe lado a lado com o desenvolvimento da cidade.

Belo Horizonte não precisa escolher entre preservar sua história e construir seu futuro. É possível e necessário fazer as duas coisas. E isso passa por aperfeiçoar nossos instrumentos, dar mais agilidade aos processos e criar condições reais para que os imóveis protegidos estejam vivos, ocupados e integrados à dinâmica urbana.

Preservar é, acima de tudo, permitir que a cidade continue sendo vivida.

Marcela Trópia é vereadora em Belo Horizonte, reeleita para o segundo mandato com a 5ª maior votação da cidade, conquistando 17.878 votos. Especialista em políticas públicas, formou-se pela Fundação João Pinheiro e realizou pós-graduação em Liderança e Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública (SP). Em 2022, participou do Programa de Competitividade Global da Universidade de Georgetown. Foi Secretária-Geral da Câmara Municipal e Presidente da Comissão de Educação por três anos. Defende as pautas de educação, transparência e liberdade econômica.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse