O fim da carreira política de Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao governo de Minas, parece caminhar para um desfecho melancólico. Recentemente, por faltar a sucessivos debates, foi ironizado por Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara de Vereadores de BH e também candidato ao Palácio Tiradentes: “Kalil, eu sei que você treme”. A frase foi em alusão a um canto da torcida atleticana à cruzeirense; uma provocação típica entre rivais do futebol.
O mesmo Gabriel, posteriormente, pegou carona em uma das bravatas de Kalil quando este era dirigente do Atlético, clube que deixou mergulhado em dívidas. Após uma derrota por 6 a 2 para o Corinthians, em pleno Mineirão – perder de seis é sua especialidade, aliás – chamou os jogadores de “borrões”. Gabriel devolveu a provocação anos depois, após Kalil anunciar publicamente que estava de cama por causa de uma infecção intestinal: “Borrou”.
Em seguida, dias atrás, foi a vez de Mateus Simões, atual governador de Minas e candidato à reeleição, chamá-lo de “Caloteiro”. A expressão não surgiu do nada: há condenações judiciais e dívidas relacionadas a impostos, obrigações trabalhistas e ex-fornecedores. Bizarramente, contudo, Kalil passou a dizer que deve porque é honesto. É uma explicação que merece ser confrontada: há quase R$ 6 milhões em seu nome. Ou seja: deve, tem dinheiro e não paga.
Triste fim
Mas o momento mais constrangedor dessa campanha ocorreu na terça-feira, 29, durante o debate da Globo. Novamente confrontado sobre suas dívidas, dessa vez por Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Kalil reagiu como sempre, desferindo grosserias sem sentido e não respondeu à questão: por que mantém dívidas mesmo dispondo de patrimônio e recursos financeiros? Segundo o próprio, repito, porque é honesto, uai.
E nem foi esse o pior momento. Ao tentar formular uma simples pergunta sobre a região Centro-Oeste do estado, o energúmeno demonstrou enorme dificuldade para tratar do assunto. Mateus Simões, então, respondeu: “O senhor pelo menos sabe quais são as cidades da região Centro-Oeste de Minas?”. Kalil não citou os municípios e afirmou que havia passado por uma cirurgia e, por isso, não conseguia ler. O candidato não conhece Minas, não paga as próprias contas e quer ser governador.
Em 2022, Kalil disputou o governo de Minas contra Romeu Zema e foi derrotado fragorosamente ainda no primeiro turno. Agora, quatro anos depois, volta a uma eleição carregando o peso dos calotes, sendo confrontado sobre o passado e protagonizando uma cena que expôs sua completa ignorância sobre o estado. Os fatos são tão suficientemente contundentes, que chega a dar dó da decrepitude política do sujeito. Pouca coisa humilha mais do que os fatos.