Gosto um bocado de psicanálise e de temas relacionados. Faço terapia há pelo menos 30 anos e sou testemunha viva dos benefícios e da comprovação fática das teorias, sobretudo as freudianas. Se ainda estou longe da cura – se é que existe tal possibilidade -, mais distante ainda estou do Ricardo de poucos anos atrás. Palmas para o Leo.
Há alguns anos, diante de um fato extremamente desagradável e marcante, envolvendo uma abrupta saída de um trabalho, aprendi que o conceito clássico de “inveja” passa longe da crença popular. Não invejamos, por exemplo, uma pessoa rica, pois não seria inveja. Apenas gostaríamos de ter a mesma situação ou até estar em seu lugar.
A “inveja” verdadeira, sob o conceito de Freud, significa não aceitar a presença dessa hipotética pessoa rica nesse lugar. É como se apenas o invejoso pudesse ser rico. Nesse sentido, é impossível deixar de observar a inveja – freudiana – de alguns pré-candidatos ao governo de Minas em relação ao atual chefe do Executivo, Mateus Simões, que recentemente substituiu Romeu Zema.
No divã do analista
Racionalmente, não deveriam nem invejar nem desejar tal posto. Afinal, sentar numa cadeira em que problemas de toda ordem se empilham como a falta de dinheiro do estado, deveria afastar os postulantes, e não aproximá-los. Contudo, por ambição, narcisismo e egoísmo, de que trataremos à frente, não apenas desejam como invejam o atual incumbente.
Por certo, vou me abster aqui de fulanizar, já que não quero ferir susceptibilidades. Mas, visivelmente, ao menos um dos adversários de Mateus não admite sua presença onde está, mormente por considerá-lo inferior e menos preparado. Até porque, “Se Simões acha que é Deus, o fulano tem certeza”, é o que dizem com frequência no meio político mineiro.
Já um outro suposto pré-candidato, que não consegue nem ao menos confirmar sua pretensa candidatura, nunca deixa de se projetar como o único capaz de resolver todos os problemas de Minas, ainda que jamais – ou em tempo algum – qualquer indicador dessa possibilidade corrobore minimamente as palavras do sedizente Messias salvador.
Espelho, espelho meu
Há também aquele tímido, ou calculista, que vez ou outra ensaia que vai, mas recua, impedindo não só o surgimento de candidaturas como emperrando as costuras necessárias à diversidade de opções. Presta, assim, por egoísmo e egocentrismo, um péssimo serviço ao pleito estadual que se avizinha ligeiro.
Por fim, dentre os prováveis, há também o “psicopata clássico”. Do tipo perverso e mentiroso, que cultua a si na mesma intensidade que despreza todos os demais. O sujeito acredita piamente em sua superioridade moral, ainda que sua vida particular e seu espelho – que não é o de Narciso – mostrem justamente o oposto.
Se vivo estivesse e conduzisse uma sessão de terapia em grupo com tais políticos, Freud sairia com mais uma prova de que o ser humano não é inerentemente “bom”, mas sim movido por pulsões. Em linha com Hobbes: o homem nasce mau e o ambiente o corrompe. Em outubro, iremos votar deitados em um divã.