A Educação e as Eleições: Por que desvincular a escolha de gestores do calendário eleitoral?

Foto: Alexandre Netto / ALMG

O ambiente escolar deveria ser um espaço de debate pedagógico, planejamento estratégico e acolhimento. No entanto, quem vive a rotina das escolas estaduais de Minas Gerais sabe que, em anos de eleições, esse ambiente é frequentemente atropelado por tensões que desfavorecem o aprendizado. Recentemente, em um movimento de articulação estratégica, gestores escolares reuniram-se com o governador Mateus Simões para apresentar importantes pautas: a prorrogação do mandato dos atuais gestores e a justa incorporação da gratificação de cargo na aposentadoria.

É sob a ótica de valorização que o Projeto de Lei 5213/2026, em tramitação na Assembleia Legislativa (ALMG), surge como uma medida de defesa da educação mineira. Ao propor o deslocamento do pleito de diretores de 2026 para 2027, a proposta busca despolarizar a gestão e blindar a escola contra ruídos externos, fortalecendo a autonomia da instituição.

Historicamente, a coincidência entre a escolha de diretores e as eleições para o Executivo e Legislativo torna o ambiente escolar vulnerável. Vivemos tempos de polarização acentuada, onde o debate sobre métodos de ensino perde espaço para ideologias e, infelizmente, para o oportunismo político. Quando a escolha do diretor ocorre nesse “olho do furacão”, o Projeto Político Pedagógico fica em segundo plano, e o processo de escolha se torna uma extensão do palanque partidário. O adiamento proposto corrige essa distorção, permitindo que a comunidade decida, com a serenidade necessária.

Os gestores escolares são lideranças de peso em seus territórios e têm demonstrado como se faz a boa política mineira. Embora o PL 5213/2026 possa apresentar vício de iniciativa, o diálogo atual com o Executivo abre um estratégico caminho de alinhamento para sanar essa questão jurídica. Isso transforma a medida em uma construção política madura e não em uma pressão isolada. O foco é estritamente técnico e profissional, sem divisões de “direita x esquerda” ou até mesmo “oposição x situação” é decidir pensando na escola, permitindo o discurso administrativo e pedagógico voltado para a melhoria da aprendizagem. A escola com o pensamento voltado para o IDEB, alfabetização e seus desafios, e não em disputas externas.

A prorrogação do mandato é o ajuste necessário para que o processo de escolha dos gestores seja, enfim, um ato educativo, livre das sombras do clientelismo. Atender aos pleitos levados ao governo e garantir o descolamento do calendário eleitoral são conquistas importantes. Que o processo ocorra em 2027, com o foco onde ele realmente deve estar: na melhoria da escola e na aprendizagem dos estudantes.

Professor da rede estadual de ensino, mestrando em Avaliação e Gestão Educacional, ex Secretário de Estado de Educação de Minas.

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