Javalis e javaporcos – uma praga mundial que assola também o nosso estado

Foto mostra javali
Javalis e javaporcos constituem perigo às lavouras. Foto: Divulgação/MMA

A proliferação descontrolada de javalis e javaporcos é um problema global, com as espécies sendo consideradas invasoras em muitos países. A erradicação é considerada difícil ou impossível em locais onde já foram introduzidos.

Essas espécies causam prejuízos significativos à agricultura e ao meio ambiente. Eles destroem lavouras, competem por recursos com a fauna nativa, causam danos ao solo e à água e podem transmitir importantes doenças para a fauna e para a pecuária, a exemplo da peste suína clássica, da peste suína africana e da febre aftosa.

Países como a Austrália tiveram relativo sucesso em erradicar as espécies de algumas ilhas, mas com altos custos e esforços, uma vez que o controle populacional geralmente envolve ações de manejo, como abate, captura e contenção, com o objetivo de reduzir os impactos negativos tanto para o meio ambiente quanto socioeconômicos. A prevenção é considerada a melhor estratégia para evitar a disseminação e o estabelecimento de novas populações.

No Brasil, o Ibama autorizou o controle através de abate, captura e eliminação, com a necessidade de inscrição dos caçadores no Cadastro Técnico Federal e autorização de manejo. O Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali e suas subespécies, desenvolvido pelo Ibama, visa conter a dispersão, reduzir e eliminar a população da espécie invasora.

Entretanto, as normativas exigidas pelo Ibama são excessivamente burocráticas e insuficientes ante a grave proporção do problema, não atingindo seu objetivo. E o que é pior: contribuindo para o aumento e a disseminação da espécie..

A exigência de registro individual de cada caçada, com o acesso ao Sistema de Informação de Manejo de Fauna (SIMAF) e preenchimento do formulário de solicitação de autorização de manejo, informando o local da caça, a espécie, os métodos que serão utilizados e ainda a declaração de autorização do proprietário da área onde ocorrerá a caça, compõem, a nosso ver, uma burocracia importante apenas para o diagnóstico da situação, mas que ao mesmo tempo, dificulta e burocratiza a ação dos caçadores.

A exemplo de outras pragas e doenças reconhecidas pelos órgãos públicos, a eliminação dos javalis e suas subespécies em propriedades particulares poderia ser autorizada livremente, sem o preenchimento de formulários, guias ou autorizações, a exemplo do que ocorre com o combate a outras pragas, sendo de responsabilidade do proprietário da área apenas a comunicação da quantidade e da espécie abatida.

Tal medida traria maior agilidade e efetividade no combate ao javali e ao javaporco, pois nenhum produtor rural deseja conviver com essas espécies em sua propriedade. Lembrando: o custo de toda a essa operação é, e continuaria ser, exclusivamente dos caçadores.

Já nas áreas públicas como parques ecológicos e reservas ambientais, o Ibama faria esse controle diretamente ou através de editais de autorização de caça a particulares.

De qualquer modo, é preciso agir rapidamente, enquanto há tempo de salvar a lavoura. Esperamos que o governo federal, através do Ibama, reveja sua legislação para que possamos dar ao produtor rural instrumentos que possam garantir a tranquilidade de que a sua produção, fruto de seu árduo trabalho, estará realmente protegida dessa praga.

Com uma carreira dedicada ao desenvolvimento regional e à inovação legislativa em Minas Gerais, foi prefeito de Jacuí por três mandatos, presidiu entidades rurais e ambientais, e atuou como assessor político em diferentes esferas. Atualmente, exerce seu sexto mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde já foi 1º-vice-presidente e presidiu comissões estratégicas, como a de agropecuária e agroindústria por três vezes, sendo autor de leis de grande impacto, como a criação da Delegacia Rural, o Marco Legal das Startups, o novo Código Florestal Mineiro, a Lei do Queijo Minas Artesanal, entre outras voltadas à sustentabilidade, agricultura familiar e modernização de políticas públicas. Sua atuação política é reconhecida especialmente nas regiões Sudoeste, Sul e Centro-Oeste do Estado.

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