Nem só do melhor queijo, da melhor cachaça, do melhor torresmo, do melhor café, do melhor minério de ferro, do melhor ferro-gusa e do mais lindo Galo do mundo os mineiros podem se orgulhar. Temos agora, também, inteligência e ciência políticas de ponta. De primeira! O melhor instituto de pesquisas do Brasil é mineiro.
A Quaest, do professor e atleticano fanático Felipe Nunes, que costuma chamar Belo Horizonte, sede de sua empresa, de “o maior município da Grande Contagem” – cidade natal do pai do Dudu Galo -, conseguiu uma verdadeira proeza em um país de dimensões continentais, povo heterogêneo e ambiente político caótico.
Com erro médio de meros 0,8%, muito abaixo dos tradicionais 2% a 5%, a Quaest brilhou e deixou para trás, por exemplo, o Datafolha, um dos mais importantes e tradicionais institutos do país, com mais de 43 anos de existência, além de outros com a mesma importância, como Atlas, PoderData e Futura.
Na mosca
Na eleição presidencial, a pesquisa da véspera da Quaest apontou Lula com 46% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 45%. Mas tão importante quanto chegar tão perto do resultado real foi perceber o que estava acontecendo antes dele. Nos 15 dias finais da campanha, a Quaest captou a movimentação em torno de Flávio.
O filho de Jair Bolsonaro saiu de cerca de 35% dos votos válidos para 45% na pesquisa da véspera e terminou com 47,2% nas urnas. Já os demais candidatos, que duas semanas antes somavam aproximadamente 21% dos válidos, terminaram com apenas 7,7%. A Quaest não acertou apenas a fotografia. Captou o filme.
E também não foi pouca coisa nos estados! Sem considerar margem de erro, acertou quem ficaria em primeiro lugar em 24 das 26 disputas pesquisadas. Somando primeiros e segundos colocados, foram 47 acertos em 52, ou 90,4%. Com tolerância de dois pontos percentuais, foram 50 em 52. Ou seja, impressionantes 96,2%.
Oh, Minas Gerais
Em Minas, a Quaest mostrou Cleitinho acima dos 50% dos votos válidos antes da abertura das urnas. Deu Cleitinho no primeiro turno. Captou a consolidação de Jerônimo Rodrigues, na Bahia, e de Sergio Moro, no Paraná, ambos eleitos. E acertou Elmano de Freitas, no Ceará, Raquel Lyra, em Pernambuco, e Dr. Daniel, no Pará.
Pesquisa eleitoral não é nem nunca foi bola de cristal. Não serve para adivinhar o que vai acontecer no domingo da eleição, mas sim para retratar o momento anterior e, quando feita em sequência – com competência -, mostrar para onde o eleitor está caminhando até chegar às urnas e digitar os números de seus candidatos.
Errar tão pouco em uma eleição tão pulverizada, num país tão grande e em 26 disputas estaduais, mais o Distrito Federal, além do pleito nacional, é um feito e tanto. Felipe montou uma máquina capaz de medir, com enorme precisão, o humor político de um país continental. E assim fez da Quaest uma referência nacional.
