O Estado que o cidadão merece e o risco da blindagem: 2026 decidirá

Plenário da Câmara dos Deputados
A chamada PEC da Blindagem foi aprovada pela Câmara. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Em 16 de setembro, a Câmara dos Deputados aprovou a chamada PEC da Blindagem. Mais do que uma manobra regimental, a proposta é um golpe contra a democracia, um ataque ao princípio da igualdade previsto no artigo 5º da Constituição Federal, segundo o qual todos são iguais perante a lei.

Esse episódio não é isolado: ele deve servir de alerta sobre o que está em jogo nas eleições de 2026. Mais que escolher partidos ou rostos conhecidos, o eleitor decidirá que modelo de Estado e de sociedade deseja para o Brasil e para Minas Gerais.

Estado mínimo: falácia que custa caro ao cidadão

A retórica liberal do “Estado mínimo” já se mostrou falsa. Na prática, menos Estado significa menos saúde, menos educação, menos segurança, menos infraestrutura – e, portanto, menos cidadania. Um Estado enfraquecido desvaloriza servidores, paralisa hospitais, esvazia escolas, abandona estradas e fragiliza a fiscalização. No fim, é sempre o cidadão quem paga a conta.

Valorizar o serviço público e seus servidores não é pauta corporativa. É pauta de toda a sociedade, porque são eles que garantem que direitos constitucionais cheguem ao povo, que a arrecadação seja feita, que o país invista e ofereça dignidade à sua gente. Fortalecer o Estado é fortalecer a democracia.

PEC da Blindagem: o retrato das escolhas erradas

A aprovação da PEC da Blindagem mostra o que acontece quando se escolhem representantes que legislam em benefício próprio. O texto aprovado:

Ressuscita o voto secreto em casos de prisão em flagrante e de autorização para processar parlamentares – uma senha para a impunidade.

Amplia o foro privilegiado, estende prerrogativas a presidentes de partidos e cria mecanismos para congelar prazos de prescrição quando o Congresso se recusa a autorizar processos.

Institui, em suma, uma lei para o povo e outra para os poderosos.

Em vez de Casa da fiscalização, o Parlamento se transforma em fortaleza de impunidade.

Caminhos de resistência

Ainda há saídas institucionais: o Senado pode rever o texto, e o Supremo Tribunal Federal pode ser provocado por meio de ADIs. Mas a resposta mais firme virá em 2026, quando o povo terá a oportunidade de decidir nas urnas se quer um Estado justo e transparente ou um Estado capturado por privilégios.

O Brasil não se constrói diminuindo o Estado, mas sim tornando-o mais eficiente, transparente e presente na vida de todos. A PEC da Blindagem escancara o abismo entre a lei para o povo e a lei para os poderosos.

As eleições de 2026 serão decisivas: cabe ao eleitor escolher se deseja representantes que defendam a República e o serviço público ou se continuará a entregar o país a quem legisla para si mesmo.

O futuro da democracia está em nossas mãos. Quem silencia diante da blindagem legitima a desigualdade. Quem resiste, defende o Brasil.

Newton Flávio Silva de Oliveira é Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais. Foi diretor do Sindifisco-MG e da Conacate (Confederação Nacional das Carreiras Típicas de Estado), com atuação em pautas institucionais da administração tributária e do fortalecimento das instituições públicas.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse