Acidentes de trabalho típicos na mineração crescem em MG, aponta relatório de ministério

Mortes, por outro lado, apresentam tendência de queda neste ano
Vista ampla de campo de mineração
Mineração em MG tem registrado mais acidentes de trabalho típicos Foto: José Cruz/Agencia Brasil.

Relatório formulado e divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que Minas Gerais vem apresentando aumento no número de acidentes de trabalho típicos no setor de mineração. O levantamento foi feito a partir de planilha de comunicação de acidentes de trabalho fornecida pelo Ministério da Previdência Social. 

Segundo o relatório, as mineradoras com operações em MG relataram 556 acidentes de trabalho típicos em 2023, 602 em 2024 e 608 em 2025. Já no primeiro semestre deste ano, foram 330.  

O chamado acidente de trabalho típico ocorre no local e no horário de trabalho. São, por exemplo, quedas, cortes, choques elétricos, queimaduras e outros eventos ligados diretamente à atividade exercida. Além dele, há os acidentes de trajeto e as doenças ocupacionais. 

Quando se soma todas as categorias, por outro lado, os números têm caído no estado. Foram 825 em 2023, 861 em 2024, 816 em 2025 e 402 no 1º semestre de 2026. 

Já em relação às mortes de trabalhadores em ambientes da mineração, foram 5 em MG em 2023, 8 em 2024, 9 em 2025 e 2 no primeiro semestre de 2026. 

Em todo o Brasil, os acidentes de trabalho totais na mineração saíram de 3602 em 2023 para 3755 em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram 1843.

A divulgação do relatório acontece em meio a críticas do setor à atuação do Ministério do Trabalho e Emprego. Conforme O Fator noticiou, durante a Exposibram, no final de agosto, a ex-senadora e atual conselheira de administração da Sigma Lithium, Kátia Abreu, criticou publicamente as auditorias feitas pela pasta.

“O Ministério do Trabalho deu para entrar nas mineradoras. Não é para vigiar o bem-estar dos trabalhadores, porque isso é obrigação deles, mas dar palpite em coisa técnica minerária que a agência diz que não tem perigo”, afirmou na ocasião. 

O plano de fundo da crítica de Abreu está na interdição, pelo MTE, de três pilhas de estéril e rejeito da Sigma Lithium no final do ano passado. As estruturas são fundamentais para a operação da mineradora, nas cidades de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha. No início deste ano, fiscais da ANM foram ao complexo da Sigma e constataram que as estruturas estão seguras.

A O Fator, o auditor-fiscal do trabalho Marcos Ribeiro Botelho defendeu a atuação da pasta. “Ao contrário do que muita gente pensa, a segurança no trabalho não deve ser focada na proteção individual do trabalhador. É por isso que estamos nos especializando em auditar a estabilidade física e a segurança hidráulica de barragens, pilhas e cavas”, afirma. 

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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