A pressão do ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP) por mais espaço na chapa à reeleição do governador Mateus Simões (PSD) esbarra, por enquanto, na maioria construída por pelo senador Carlos Viana dentro do PSD. Com o respaldo da maior parte da bancada mineira da legenda, do presidente estadual, Cássio Soares, e do presidente nacional, Gilberto Kassab, o congressista mantém a estratégia de não reagir publicamente às investidas.
Aro é pré-candidato ao Senado Federal e tem dito que não deseja dividir palanque com Viana, que almeja a reeleição. Na semana passada, a federação entre União Brasil e PP também passou a cogitar o lançamento do ex-deputado federal na disputa pelo governo.
Embora dirigentes do PSD avaliem reservadamente que uma composição contemplando Viana e Aro seria o desenho ideal para fortalecer o grupo de Simões, a leitura predominante é de que não há ambiente interno para enfraquecer o senador.
O Fator apurou que, entre dirigentes da legenda, prevalece a percepção de que Viana detém a maioria do partido em Minas, o que reduz o incentivo para transformar a disputa em um embate interno. Interlocutores lembram, inclusive, que o próprio Mateus Simões enfrenta dificuldades para construir consensos dentro do PSD.
A orientação da direção estadual é preservar o ambiente de diálogo e evitar novos ruídos às vésperas das convenções partidárias.
De olho no PSD nacional
As atenções do partido agora se voltam para a convenção nacional do PSD, marcada para o próximo domingo, em São Paulo. A expectativa é de que o encontro reforce o alinhamento da legenda em Minas.
Enquanto isso, os movimentos de Marcelo Aro são acompanhados sem provocar mudanças na condução do PSD. Nos bastidores, prevalece a avaliação de que o ex-secretário elevou o tom para ampliar seu poder de barganha na reta final das negociações. A avaliação é de que seu objetivo continua sendo uma vaga ao Senado, utilizando a possibilidade de disputar o Palácio Tiradentes como instrumento de pressão política.
Como O Fator já mostrou, embora interlocutores de União e PP admitam que o movimento em torno da possível candidatura de Aro ao governo serve indiretamente como forma de tentar convencer o PSD a retirar Viana, lideranças da federação levam a articulação a sério. O presidente nacional do União, Antônio Rueda, é um dos defensores da entrada do ex-secretário na eleição para o Executivo.
Na visão desse grupo, uma candidatura própria seria benéfica para os partidos da federação e capaz até mesmo de atrair a atenção de legendas que ainda não decidiram o que fazer, como PL e Republicanos.