Judiciário bate o pé contra Zema e trava votação do orçamento de Minas para 2025

Lideranças da magistratura não concordam com valores previstos para Judiciário no ano que vem. teto de gastos compõe equação
O governador Romeu Zema
Orçamento de Minas para 2025 ainda não foi votado. Foto: André Cruz/Imprensa MG

Inicialmente prevista para acontecer nesta semana, a votação, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), do orçamento do estado para 2025, só deve ocorrer na semana que vem. O provável adiamento está relacionado a impasses no texto, que prevê déficit de R$ 7,16 bilhões nas contas públicas. Segundo apurou O Fator, os principais pontos de incômodo têm sido externados por representantes da magistratura, que não concordam com cortes feitos pelo Executivo no orçamento enviado pelo Judiciário — e que acaba sendo incorporado à peça orçamentária geral do estado.

Interlocutores ouvidos pelo Judiciário temem que a redução em relação aos valores pedidos prejudique o funcionamento do Tribunal de Justiça do estado e inviabilize o funcionamento de algumas comarcas. A tensão atual é uma espécie de desdobramento de dissidências iniciadas em agosto, quando o governador Romeu Zema (Novo) decretou um teto de gastos que limita o crescimento das despesas primárias de Minas Gerais à variação da inflação.

À ocasião, representantes do Judiciário — e mesmo deputados estaduais — manifestaram descontentamento com a condução do caso por parte do governo. O entendimento é de que não houve diálogo do Executivo com os outros Poderes antes da decretação da trava orçamentária, que já vale para 2025. Em meio às insatisfações, parlamentares de oposição chegaram a apresentar um projeto de resolução (PRE) para sustar os efeitos do decreto.

Apesar da resistência do Judiciário quanto aos termos atuais do orçamento para 2025, há, entre interlocutores a par dos debates sobre o orçamento, a avaliação de que será possível costurar um acordo para encerrar o imbróglio. Nesse cenário, seria viável que os parlamentares votassem o orçamento na próxima semana.

Em linhas gerais, além do rombo de R$ 7,16 bilhões, o orçamento do ano que vem estima gastos de R$ 133,8 bilhões, além de receitas de R$ 126,66 bilhões. A peça orçamentária, cabe lembrar, costuma ser a última matéria votada pelos integrantes da Assembleia antes do recesso de janeiro.

Propag pode alterar dinâmica

Além do teto de gastos, a lógica orçamentária de Minas Gerais também pode sofrer alterações por causa do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), já aprovado pela Câmara dos Deputados. O texto, que será analisado pela segunda vez pelos senadores na semana que vem, é visto como um dos caminhos para refinanciar o débito contraído pelo Executivo estadual junto à União.

O deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), relator da proposta na Câmara, apresentou um substitutivo que prevê a individualização do teto de despesas para cada poder ou órgão, eliminando a garantia de compensação orçamentária pelo Executivo. 

Nos termos da medida, cada instituição teria de se adequar a um limite específico de gastos, sem a possibilidade de complementação automática pelo governo estadual.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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