Julgamento do golpe embasou MP de R$ 27 milhões para segurança do STF

A maior despesa, de R$ 12 milhões, será para uma “solução antidrone” com raio de 2 km
Policiais periciam corpo de Tiü França em frente ao STF, em 14 de novembro de 2024
Policiais periciam corpo de Tiü França em frente ao STF, em 14 de novembro de 2024. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ataque do homem-bomba em novembro de 2024 e o julgamento de Bolsonaro e outras pessoas por tentativa de golpe de Estado embasaram a medida provisória que liberou R$ 27 milhões para o STF reforçar a segurança.

A informação foi obtida por O Fator via Lei de Acesso à Informação.

A MP 1297 foi publicada no Diário Oficial em 17 de abril, uma quinta-feira, sem especificar no que o dinheiro será gasto. No mesmo dia, o jornal O Globo publicou uma lista das despesas e afirmou que o texto foi publicado “após” o ataque a bomba, mas sem cravar a relação entre uma coisa e outra e sem mencionar o julgamento em curso por golpe de Estado.

Onze dias depois, o site da Câmara dos Deputados informou que o dinheiro foi pedido pelos ministros do STF “em meio à análise, no tribunal, de processos contra pessoas envolvidas nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023″, mas sem citar documentos do próprio tribunal.

Os documentos que embasaram a MP, obtidos por O Fator, incluem um ofício assinado em 11 de abril por Marcelo Canizares Schettini Seabra, secretário de Polícia Judicial do STF.

“[R]eitero a urgência da situação que motivou tal solicitação, a qual se iniciou em novembro de 2024, quando um indivíduo atentou contra esta Corte utilizando artefatos explosivos de fabricação caseira, colocando em risco advogados, jurisdicionados, ministros, servidores e demais cidadãos presentes na Sessão Plenária e nas adjacências do Tribunal naquele dia”, escreveu Seabra.

Trecho do ofício do secretário Marcelo Seabra ao diretor-geral do STF, Eduardo Toledo, em 11 de abril.

E acrescentou: “Ressalte-se, ainda, que este cenário se agrava com a tramitação de processos relacionados à tentativa de golpe de Estado, os quais estão ocorrendo ao longo deste mês e nos próximos, o que tem intensificado a tensão e elevado o grau de risco institucional vivenciado por esta Corte Constitucional” (grifos no original).

Seabra concluiu: “o evento ocorrido em 13 de novembro de 2024 não constitui fato isolado, mas sim marco de uma escalada crescente e ininterrupta de ameaças graves, que vêm se materializando em palavras, atos e condutas concretas, direcionadas à destruição da autoridade, da integridade física e da estabilidade desta Instituição”.

Os argumentos do STF foram acolhidos pela ministra Simone Tebet. Contudo, na exposição de motivos ao presidente Lula, Tebet não citou especificamente o julgamento pela tentativa de golpe.

A maior despesa, de R$ 12 milhões, será para uma “solução antidrone” com raio de 2 km, que, segundo o STF, “alcançará toda a esplanada dos Ministérios”.

Também serão destinados mais de R$ 7 milhões para contratar 50 profissionais de segurança.

No Congresso, os relatores da MP são a senadora Eliziane Gama e o deputado federal Carlos Zarattini, ambos aliados do governo Lula. O texto passa a tramitar em regime de urgência a partir de domingo (1º).

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