Plano Safra: muita festa para pouco avanço

Foto: Agência Brasil

Na semana passada o Governo Federal lançou o Plano Safra 2025/2026, com muita pompa e circunstância, porém, embora realmente tenha havido uma pequena elevação nominal dos valores, nada se avançou nas reais expectativas do produtor rural.

Os valores anunciados chegam a R$ 516,2 bilhões para a agricultura e pecuária empresariais e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar, respectivamente 2% e 17% a mais do que no Plano anterior, entretanto, num cenário de Selic a 15 %, os subsídios são insuficientes para conter o encarecimento da produção e o custo efetivo real se torna proibitivo para muitos produtores. São os juros mais altos da história.

A verba destinada à equalização desses juros ficou próxima dos R$ 14 bilhões, muito abaixo dos R$ 25 bi aguardados pelos produtores e a inclusão das Cédulas de Produto Rural (CPRs) no montante total dos valores disfarça a real disposição dos recursos.

Outra questão traz insegurança e desestímulo ao setor é a completa ausência do Programa de Seguro Rural. Sem o Seguro Rural os produtores ficam vulneráveis a variações climáticas, reduzindo também o interesse dos bancos devido ao risco aumentado.

Com crédito mais caro e menos seguro, muitos produtores terão que reduzir investimentos, resultando em menor produtividade, maior preço de alimentos e insegurança alimentar.

Sem taxas reais de juros compatíveis, com rentabilidade do setor, a ampliação de subsídios para a equalização, segurança e o seguro rural e a garantia da execução orçamentária, sem contingenciamentos ou cortes, como o ocorrido no ano passado, o Plano Safra segue como um “maior plano da história” apenas no papel — enquanto o produtor, sem crédito acessível ou seguro, fica no limite da sobrevivência.

Com uma carreira dedicada ao desenvolvimento regional e à inovação legislativa em Minas Gerais, foi prefeito de Jacuí por três mandatos, presidiu entidades rurais e ambientais, e atuou como assessor político em diferentes esferas. Atualmente, exerce seu sexto mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde já foi 1º-vice-presidente e presidiu comissões estratégicas, como a de agropecuária e agroindústria por três vezes, sendo autor de leis de grande impacto, como a criação da Delegacia Rural, o Marco Legal das Startups, o novo Código Florestal Mineiro, a Lei do Queijo Minas Artesanal, entre outras voltadas à sustentabilidade, agricultura familiar e modernização de políticas públicas. Sua atuação política é reconhecida especialmente nas regiões Sudoeste, Sul e Centro-Oeste do Estado.

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