Nilmário sai do MDH para pré-campanha de Rodrigo Pacheco

“Eu acho que ele já sabe da importância da candidatura dele”; Nilmário defende Marília Campos como vice
Nilmário Miranda em Brasília
Nilmário Miranda: saindo de Brasília rumo a pré-campanha de Pacheco. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Nilmário Miranda, assessor especial do Ministério dos Direitos Humanos, disse nesta terça (12) a O Fator que pediu demissão e vai voltar a Minas para trabalhar em uma pré-campanha de Rodrigo Pacheco a governador. O senador ainda não anunciou se vai disputar o cargo, e Nilmário disse não ter conversado com ele a respeito.

O pedido de demissão foi revelado nesta terça (12) por O Globo, mas o objetivo de Nilmário em favor da pré-campanha de Pacheco é uma informação inédita que o ex-ministro revelou a O Fator.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Então ministro, o que aconteceu?
São dois motivos. Eu estou há 2 anos e 9 meses em Brasília — 2 meses da transição, 2 anos e 7 meses no ministério. Nós conseguimos recompor tudo. A Comissão da Anistia estava desarticulada quando eu cheguei. Bolsonaro a extinguiu ilegalmente dois dias antes da posse do Lula. Rearticulamos os memoriais, com trabalhos sobre a memória da escravidão e do comércio de pessoas escravizadas. Está tudo caminhando. Mas estou saindo por causa da guerra híbrida.

O que o senhor chama de guerra híbrida?
Eles [o governo americano] estão tratando o governo como inimigo. Há uma ofensiva imperialista. O exército americano está sendo orientado a combater facções, algo que já vimos no passado. Quero ajudar a organizar, em Minas, uma frente ampla para combater essa guerra híbrida.

Por que seria mais vantajoso o senhor voltar para Minas, em vez de fazer isso no ministério, em Brasília?
Não posso misturar o trabalho do ministério com o que envolve organizações partidárias, pré-eleitorais. Adoro meu trabalho aqui, está tudo bem encaminhado, mas não posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Optei por sair para me dedicar a isso, colaborando informalmente com o ministério.

Esse trabalho é eleitoral para 2026, ou tem outro foco?
Não é eleitoral no sentido estrito, mas é pré-eleitoral. Queremos formar uma frente ampla com o centro democrático, não só esquerda e centro-esquerda. Estamos incentivando o Rodrigo Pacheco como candidato a governador, embora ele ainda não tenha decidido. Em muitas cidades, PT e PSD são adversários; minha experiência e prestígio podem ajudar a articular alianças. É trabalho político, que não combina com o ministério.

Então o senhor está voltando para Minas para trabalho pré-eleitoral, pavimentando uma possível candidatura de Pacheco a governador?
Isso. Eu não sou candidato. Já disputei 15 eleições, perdi 9. Minha maior vitória foi a derrota de 2002 [para Aécio Neves], quando Lula ganhou do Serra e tivemos José Alencar como vice.

Sobre Pacheco: o senhor já conversou com ele sobre isso?
Eu não conversei com ele sobre isso.

Eu acho que ele já sabe da importância da candidatura dele. Uma vez ele falou: “qual político que não tem o desejo de ser governador do seu estado?”. Mas ele quer escolher o momento de tomar a decisão, pois sabe que enfrentará fake news e ataques. Também é um advogado, um jurista; quem não quer ser ministro [do STF]? Acredito que ele será candidato. Defendo a chapa Rodrigo Pacheco–Marília Campos [prefeita de Contagem]. Ela já se declarou “rodriguista” [em abril deste ano].

Sobre sua agenda: por que teve poucos compromissos públicos?
Tive crises de ciático, que me deixaram afastado alguns dias. Foram duas crises desde janeiro de 2023, a mais longa durou 25 dias. Mas sempre voltei ao trabalho.

Mesmo com isso, o senhor vai viajar para cidades para a campanha de Pacheco?
Participei de 130 viagens de ônibus nesse período, cerca de 82 mil quilômetros. Minha neta, que é médica, acha um absurdo. Só viajo de avião quando é trabalho oficial. O desgaste é grande, mas antecipei minha saída por causa da guerra híbrida.

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