Por que a Genial Investimentos mantém cautela sobre privatização da Copasa

Corretora avalia que processo de desestatização da companhia mineira deve demorar mais que o da Sabesp
Estação de tratamento da Copasa
Privatização da companhia é objetivo do governo Zema. Foto: Copasa/Divulgação

Embora o governo de Minas Gerais tenha obtido uma vitória quanto à privatização da Companhia de Saneamento (Copasa) nesta semana, com a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa (ALMG), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que exclui a necessidade de referendo popular para a venda da estatal, a Genial Investimentos ainda prega cautela sobre o tema. Em relatório a clientes, a corretora afirmou que a desestatização tende a ser mais lenta que a da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Na visão da Genial, a proximidade das eleições de 2026 impõe um calendário apertado para os processos rumo à venda de parte da estatal mineira. As conclusões foram publicadas nessa quinta-feira (18).

“Do ponto de vista prático, a privatização da Copasa exigirá ainda a regionalização das concessões, renegociação de contratos municipais e ajustes regulatórios, etapas que demandam tempo e articulação política. Comparando com a Sabesp, entendemos que o processo em Minas tende a ser mais trabalhoso e com cronograma apertado, especialmente à luz das eleições de 2026. Assim, embora a PEC seja positiva para a tese de investimento, permanecemos cautelosos quanto à velocidade e viabilidade de execução do projeto”, pontuou a corretora.

Apesar das ponderações, a Genial orientou os clientes com ações da Copasa a manter os títulos na carteira.

“A aprovação da PEC que elimina a necessidade de referendo popular representa um passo importante para viabilizar a privatização da Copasa, mas ainda está longe de garantir a concretização do processo”, indicou.

A PEC, que agora será analisada por uma Comissão Especial de deputados, só exclui a consulta popular caso os recursos da transação envolvendo a Copasa estejam vinculados à renegociação da dívida do estado junto à União. A estratégia também consta no projeto que pede autorização legislativa para a venda da companhia.

“O rito legislativo subsequente (aprovação em plenário com 48 votos, tramitação de um projeto de lei ordinária autorizando a desestatização e posterior definição do modelo de venda) coloca desafios significativos, sobretudo diante do cenário político atual em que o governador Romeu Zema não dispõe de base parlamentar majoritária e enfrenta limitações naturais de poder no seu segundo mandato”, prosseguiu a Genial, no relatório.

Desempenho melhor que Sabesp e Sanepar

Apesar da cautela, a Genial apontou desempenho melhor das ações da Copasa em comparação com a Sabesp e a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que não foi privatizada.

Nos últimos 12 meses, as ações da Copasa na Bolsa de Valores tiveram performance de 64,4%, ante 46,4% da Sabesp e 37,8% da Sanepar.

Modelos à mesa

O plano do governo de Minas Gerais é concluir o processo envolvendo a Copasa até o ano que vem. O modelo de privatização ainda não está definido, mas o Palácio Tiradentes admite modelos como o M&A, que permite fusões e aquisições ou a venda de percentual por leilão. O follow on, rito seguido pela Sabesp por meio de uma nova oferta de ações na Bolsa, também é aventado

“A gente ainda está por decidir se vai fazer um modelo de follow on, se vamos fazer a captação de um parceiro estratégico ou se vamos fazer uma M&A. Essa é uma discussão que vamos fazer depois de encerrar o debate na Assembleia, nos próximos 30 dias”, disse ontem, na B3, em São Paulo (SP), o vice-governador Mateus Simões (Novo).

O Executivo estadual espera arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com a privatização do serviço de saneamento.

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