Quanto Minas prevê aportar no fundo de compensação do Propag em 2026

Estado já tem previsão oficial de valor a ser utilizado em uma das contrapartidas a refinanciamento da dívida pública
O governador Romeu Zema
Zema enviou peça orçamentária aos deputados estaduais. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais calcula a necessidade de aportar R$ 1,861 bilhão no Fundo de Equalização Financeira (FEF), de natureza federal, no ano que vem. A poupança, criada a reboque do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), servirá para compensar os estados em boa situação fiscal. A injeção de recursos no FEF é condição para adesão ao Propag.

A projeção quanto à aplicação no FEF consta no projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, enviado nesta semana à Assembleia Legislativa pelo governador Romeu Zema (Novo). O documento ainda não se tornou público porque não foi formalmente recebido no plenário da Casa, mas O Fator conseguiu acesso ao material. 

Segundo os termos do Propag, estados signatários do acordo precisam repassar ao FEF cifras que estejam entre 1% e 2% do saldo devedor total. Unidades federativas que conseguirem amortizar 20% de seus passivos por meio da federalização de bens, poderão reduzir a 0% a taxa real de juros das parcelas da dívida, desde que invistam 1% do montante no fundo e mais 1% em ações de infraestrutura.

Embora as diretrizes orçamentárias tenham previsto déficit de R$ 2,31 bilhões no ano que vem, o rombo projetado pelo PLOA é maior: R$ 5,218 bilhões. O valor foi calculado a partir da diferença entre receitas e despesas. Enquanto a previsão de ganhos é de R$ 141,751 bilhões, os gastos esperados estão em R$ 146,969 bilhões.

Fôlego na dívida

A peça orçamentária encaminhada pela equipe de Zema aos deputados estaduais considera o ingresso no Propag. Por isso, a ala econômica do Palácio Tiradentes calcula que os desembolsos com juros e serviço da dívida junto à União vão diminuir R$ 1,147 bilhão em relação ao projetado para todo este ano. 

Em mensagem anexa ao projeto, Zema diz aos deputados que a situação fiscal do estado ainda é “grave e complexa”.

“Apesar de ainda ser grave e complexa a situação fiscal de Minas Gerais, reforço o compromisso de todo o Poder Executivo de empreender esforços para reconstituir o equilíbrio fiscal e orçamentário do Estado, em sintonia com as práticas institucionais democráticas e de gestão responsável e sustentável, em prol dos cidadãos, cidadãs, das pessoas jurídicas e do Povo Mineiro. Desse modo, o governo se alinha às ações dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da Defensoria Pública, a fim de alcançar o equacionamento fiscal com a ampliação e o aperfeiçoamento dos serviços e bens público”, escreve.

Para que Minas possa contar com as projeções relacionadas ao Propag na versão definitiva do orçamento do ano que vem, estado e União terão de correr contra o tempo — ou, alternativamente, firmar um compromisso pela flexibilização de prazos e regras para entrada no programa. 

A data-limite para o fechamento do acordo de refinanciamento é 31 de dezembro, enquanto as ofertas de federalização de estatais, utilizadas como gatilho para o abatimento de parte do débito, precisam ser encaminhadas ao Ministério da Fazenda até 30 de outubro. O decreto que regulamenta o programa, entretanto, afirma que as propostas devem estar acompanhadas de laudos de avaliação dos ativos, supervisionados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No início da semana, o BNDES informou a O Fator que, embora tenha selecionado empresas aptas a avaliar bens como a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Companhia Energética (Cemig), ainda não deu aval ao início da tarefa porque o Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre o que aceita receber em troca de parte do saldo devedor.

Nessa quarta-feira (1°), a reportagem perguntou à Fazenda se há, no horizonte, a possibilidade de mudança nas regras e nas datas do Propag diante da proximidade do fim da janela oficial de apresentação de ofertas. Não houve resposta ao questionamento.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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