Pai novo, pai velho. Filho novo, filha velha. O amor é para sempre

Textinho fofo de um papai para outros papais e nossas amadas crias
Pais e filhos: amor incondicional
Pais e filhos: amor incondicional (Ilustração: Google Images)

Qual pai, ou mãe, não sente o coração partir com o sofrimento de um filho, ou uma filha, por menor que seja? Qual pai, ou mãe, não trocaria de lugar com sua cria, para poupá-la de uma micro lágrima de dor? A paternidade – e só ela – poderia me transferir para o mesmo lugar que minha mãe ocupou na minha vida durante 53 anos.

Filhos a gente não escolhe; cria. Conversando há pouco com um novo amigo que a vida me deu – outro, aliás! -, que acabou de receber seu terceiro rebento (mais um Galo Doido no mundo), me lembrei da minha filha que está estudando fora e corri para o WhatsApp, não para falar algo, mas para vê-la e ouvi-la: “oi, papai”.

Essa semana, um outro pai e uma outra filha partiram meu coração. Separados fisicamente, unidos emocionalmente, não há continente capaz de barrar tanto amor. Em uma mensagem, a filha me escreveu: “falei agora com o papai”. Eu não sei quanto a vocês, pais, mas a palavra “papai” me desmonta completamente.  

Quem me acompanha há mais tempo, se acostumou com textos meus, desconexos de política, e sabe que, quando os escrevo, é porque o coração está explodindo – de alegria ou amargura – e o grito exige uma porta de saída. Roberto Carlos ensinou: “se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi”.

Recado número 1: não queira que seus filhos lutem contra as próprias fraquezas; apenas os ajude a fortalecer as defesas. Recado número 2: Gandalf, o mago de O Senhor dos Anéis, sempre certeiro avisou: “nem todas as lágrimas são ruins”. Recado número 3: a sua imortalidade vive no caráter de seus descendentes.

Alô, papai do dia: crie seus filhotes como você mesmo foi criado. Daqui a uns 10 ou 15 anos, quando você estiver no meu lugar, ligando para o maior amor da sua vida, desejando um beijo e um abraço como se fossem o restinho de oxigênio sobre a Terra, você se lembrará de mim e dirá: “dói, sim, mas valeu a pena”. 

Ah! Ainda bem que o Miguel não é pé-frio como o pai e já chegou goleando. Agora vou chorar (de saudade) na cama, que é lugar quente. Mas antes, ao outro papai, quero lembrar que: o que não mata, fortalece! Sua filhotinha sairá maior e mais forte. Lá na frente, velhinhos, beberemos em homenagem a todas elas.

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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