É cada vez mais aparente o movimento de alguns influencers, que hoje pautam boa parte da mídia esportiva especializada, contra o Atlético. Ou melhor: contra a SAF atleticana. Melhor ainda: contra os acionistas do Clube.
Com raríssimas exceções, pois existem, o que se vê e se lê beira a má-fé – se não intelectual, moral. Porque, apesar de todas as críticas esportivas – muitas delas, ou a maioria, corretas e mais que merecidas -, proliferam factoides sensacionalistas que nada constroem e que não resistem a míseros dois segundos de realidade.
Recentemente, vimos isso no caso do Galo da Madrugada. O Atlético discutia – legítima e juridicamente – seu direito sobre a marca “Galo” no segmento esportivo. Mas qual foi a narrativa predominante? A de que o Atlético era contra o tradicional bloco de carnaval pernambucano. E não adiantou o Clube se manifestar oficialmente, explicar, contextualizar ou esclarecer. A ideia era – como ainda é – simplesmente atacar a atual gestão como se fossem capitalistas bilionários autoritários em busca de impedir o carnaval de rua.
Mentiras e desinformação
Agora, a nova celeuma – mais artificial que o amor de alguns pelo Atlético – envolve os gastos com a segurança na Arena MRV. De forma açodada, sem o menor critério técnico e baseada em prints, cortes e achismos de rede social, surgem “analistas de Instagram” concluindo que o Atlético gastaria – sei lá quantas vezes – mais com segurança do que outros clubes brasileiros.
Ainda que existisse uma metodologia minimamente séria para comparar estruturas, operações, contratos, tamanho de estádio, perfil de torcida, logística, efetivo, número de acessos, exigências operacionais e protocolos específicos – ou seja, comparar alho com alho e bugalho com bugalho -, qual seria o sentido de uma empresa privada gastar deliberadamente mais do que o necessário?
Sim. Porque, afinal, não estamos falando de prefeitura, estatal ou órgão público contratando serviço superfaturado com o dinheiro do contribuinte. Estamos falando de uma empresa privada. E, nesse caso, a intenção de parte da turma em jogar a torcida contra os donos da SAF parece bastante evidente, pois qual seria o benefício em gastar mais do que o necessário? Superfaturar, ou seja, roubar de si mesmo?
A quem possa interessar
Eu não conheço a composição detalhada dessa rubrica específica (segurança). Não sei exatamente quais contratos existem, quais empresas atuam, quais exigências técnicas foram feitas e quais custos operacionais estão embutidos nessa conta. Mas uma coisa eu garanto: quem critica os gastos do Atlético com a segurança – por má-fé ou simples ignorância sobre o tema – deveria observar melhor o trabalho realizado em dias de jogo, antes de sair “causando” na internet. Principalmente o trabalho retratado na foto acima, com cadeirantes e outros portadores de necessidades especiais.
Além de torcedor fanático, como muitos de vocês, sou também conselheiro benemérito do Clube. E essa condição não me impede de criticar os inúmeros erros da gestão, especialmente aqueles que acabam refletidos dentro de campo. Mas escrevo este texto, sobretudo, como profissional de comunicação e publisher de um veículo tão relevante e respeitado quanto é O Fator.
A chamada imprensa profissional vem sofrendo, há anos, uma brutal perda de relevância e credibilidade. E não sem culpa, diga-se. Parte considerável desse desgaste nasceu justamente da pressa, do sensacionalismo, da torcida disfarçada de jornalismo e da substituição da apuração pela narrativa pronta. Aliás, escrevi recentemente sobre isso e a exploração do caso Daniel Vorcaro e Banco Master. Vale a leitura aqui.
Atleticanos de araque
O fato é que grande parte da informação atual migrou para redes sociais, canais de YouTube e perfis de influencers, sem necessariamente abandonar os mesmos vícios. Em muitos casos, apenas trocou de endereço. E isso, em médio e longo prazos, fará com que mesmo essa “nova forma” de comunicação perca espaço para algo ainda mais informal e sem qualidade: os famosos tios e tias do Zap.
Levar informação correta, contextualizada e sem viés histérico continua sendo a melhor forma de comunicar e, principalmente, de informar e opinar com responsabilidade. Esse episódio, envolvendo os custos de segurança da Arena, serve justamente como exemplo do que não fazer. Fica a dica para quem realmente deseja o melhor para o Galo.
Para o restante dos “influencers”, sugiro a leitura atenta da mensagem abaixo, enviada por David Pena Ramos Cesar, coordenador de acessibilidade do Clube, e ele próprio um cadeirante. Quem sabe, assim, antes de caçar cliques e espalhar desinformação e ódio na internet, vocês repensem o que estão fazendo?
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Prezado Ricardo, vou tentar ser o mais objetivo possível aqui, embora esse seja um assunto que às vezes precise ser um pouco professoral para conseguir explicar a complexidade da operação.
Quando pensamos em acessibilidade em uma arena como a MRV, o principal ponto é a acessibilidade atitudinal. Porque a maior barreira hoje não é arquitetônica. A Arena MRV é extremamente moderna e muito avançada nesse aspecto. A maior barreira é comportamental. Infelizmente, boa parte dos torcedores não entende, não respeita ou simplesmente não percebe as necessidades da pessoa com deficiência dentro da operação de um estádio (veja a foto).

E para desmontar essa barreira, nós precisamos de operação integrada. Segurança, brigadistas e acolhimento trabalhando juntos o tempo inteiro. São inúmeros profissionais envolvidos.
Hoje a Arena MRV possui uma das maiores operações de áreas PCD do Brasil, talvez do mundo, em número proporcional dentro de uma arena moderna. Só no anel superior são mais de 20 áreas PCD distribuídas entre Inter Norte, Sul, Leste e Oeste, além das áreas do anel inferior. Isso exige uma proteção operacional constante e com efetivo numeroso.
O problema é que a redução desse efetivo de segurança impactaria imediatamente a proteção dessas áreas. E não é simplesmente deixar um segurança parado por ali. Porque uma arena moderna possui muitos acessos, muitos fluxos, muitas passagens e inúmeras demandas simultâneas. O profissional da segurança precisa agir operacionalmente em diversos pontos do estádio. Então, na prática, o enfraquecimento do efetivo faria com que as áreas PCD também percam capacidade de controle.
E isso começaria a gerar impacto direto na experiência do torcedor com deficiência. Hoje mesmo, contra o Puerto Cabello, tivemos invasão de área PcD (foto abaixo), obstrução de visibilidade e situações que ficariam praticamente incontroláveis pela ausência de suporte operacional suficiente.

O ponto mais importante é: não estamos falando apenas de conforto. Estamos falando de garantir dignidade, autonomia, segurança e experiência mínima para pessoas com deficiência conseguirem assistir ao jogo de forma adequada.
A Arena MRV construiu algo muito bonito e muito respeitado em acessibilidade. Mas esse modelo depende obrigatoriamente de integração operacional. Sem isso, começamos a perder qualidade de entrega muito rapidamente.
Quem faz campanha contra o alto gasto com a segurança no estádio, está atuando contra a segurança de todos, mas principalmente colocando em risco os PCDs que vão ao estádio (grifo meu).
Eu posso te mandar alguns relatórios de jogos anteriores, com fotos e explicação de como a operação é feita na prática, para você entender melhor a complexidade disso tudo.
Porque a acessibilidade atitudinal acaba sendo a essência das outras acessibilidades dentro de uma arena. Quando pensamos, por exemplo, na acessibilidade comunicacional, nós temos intérpretes de Libras para atendimento de torcedores surdos no estádio. Mas para isso funcionar bem, existe toda uma estratégia integrada envolvendo acolhimento, segurança, brigadistas e operação (outro grifo meu).
E é justamente essa integração que poderia ser muito impactada se houvesse corte de pessoal.
Se você quiser conhecer de forma mais ampla toda a estrutura e o modelo que construímos, eu posso te encaminhar um material mais completo.
Um abraço!
David