A expectativa de aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é que ele comunique, durante almoço em Brasília nesta quarta-feira (4) com lideranças do MDB nacional e de Minas Gerais, que não pretende mais se filiar à sigla, uma vez que ela conta com outro nome para disputar o governo do estado.
Paralelamente, o senador continua em conversas com outras legendas, como União Brasil, para definir seu futuro. A decisão vai ser tomada durante a janela partidária, que começa nesta quinta-feira (5). Nesse período, parlamentares com mandato têm 30 dias para mudar de partido sem sofrer sanções.
O encontro na residência do parlamentar em Brasília, como mostrou O Fator, contará com a presença do presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP), do presidente estadual da sigla em Minas, o deputado federal Newton Cardoso Jr., e do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, que é pré-candidato à chefia do Executivo.
Conforme apurou a reportagem, Pacheco pretende comunicar aos líderes da legenda que respeita a pré-candidatura de Azevedo, de quem é amigo, ao governo estadual. Também quer afirmar que ainda não definiu se disputará o comando de Minas, mas que o MDB, justamente por já ter um pré-candidato, não pode ser alternativa de filiação neste momento.
O senador é apontado como o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo do estado nas eleições deste ano, e um dos pontos que têm impedido o avanço das conversas com o petista é justamente a indefinição partidária.
Conversas com União Brasil
Pacheco mantém conversas adiantadas com o União Brasil, onde tem como principal interlocutor o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (AP). No último mês, eles conseguiram emplacar no comando da legenda em Minas um de seus aliados, o deputado federal Rodrigo de Castro.
Ao mesmo tempo, ainda não há clareza sobre qual será a posição nacional do partido, que tem federação com o PP, uma vez que há dirigentes das duas siglas que defendem que a aliança partidária caminhe junto com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Sem garantia de neutralidade nos estados para a formação de palanques em favor da reeleição de Lula, Pacheco conversava com o MDB. Mesmo que não dispute o pleito estadual, o senador afirma que não pretende apoiar candidatura de direita à Presidência da República. Em outra ponta, o PL tenta atrair a federação partidária para o seu arco de alianças.
Pessoas próximas de Pacheco ressaltam que um dos intuitos dessa movimentação no União Brasil foi cumprido. O objetivo era afastar a federação do grupo de alianças do vice-governador do estado e pré-candidato ao governo mineiro, Mateus Simões (PSD).
A chegada de Simões à sigla, em outubro, inclusive, foi o que levou o senador a buscar outra agremiação para ele e seu grupo. Todo o processo foi conturbado e marcado por divergências entre o PSD estadual, com aval de Gilberto Kassab, e o grupo político do senador.
Filiação não é garantia de candidatura
Desde o ano passado, parlamentares próximos a Pacheco aguardam que ele defina para qual partido irá migrar para então acompanhá-lo e esperam que ele bata o martelo sobre se será ou não candidato ao governo de Minas, com apoio de Lula nas eleições deste ano.
Aliados afirmam, no entanto, que, mesmo após a definição da filiação partidária e de um pedido do presidente Lula para que seja candidato, ainda não há certeza de que ele disputará o governo. De todo modo, Pacheco já teria dito que pretende manter protagonismo no cenário político estadual.