O pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (9) pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), recebeu reforço de figuras do partido que tentarão vagas na Câmara dos Deputados pelo estado neste ano. Subscrevem a peça a secretária de Estado de Cultura de Minas, Bárbara Botega, e o influenciador Marco Antônio Costa, o “Superman”.
Zema apresentou o pedido após a revelação de conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado extrajudicialmente em novembro do ano passado. O banqueiro voltou à cadeia na quarta-feira (4), em meio a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre uma rede de ameaças e intimidações a pessoas vistas como antagônicas aos interesses do conglomerado financeiro.
Além de Botega, Zema e Superman, o Novo mineiro é representado no pedido pelo presidente do diretório estadual, Christopher Laguna. Lideranças nacionais do partido, como o presidente da Executiva federal, Eduardo Ribeiro, e o senador Eduardo Girão (CE), também subscrevem a solicitação de impeachment.
Na visão dos integrantes do Novo, Moraes cometeu os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. A petição cita, ainda, o contrato do Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do integrante do Supremo.
“O Ministro Alexandre de Moraes, além de não ter observado esse dever proibitivo de não exercício da advocacia, violou a honra, a dignidade e o decoro do cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal ao criar uma engenharia de obtenção de vantagem financeira para si e para a sua família, por meio do exercício da influência derivada de seu cargo”, lê-se em trecho do documento.
Conversas com Vorcaro
As conversas entre Moraes e Vorcaro foram reveladas pelo jornal O Globo, a partir de dados extraídos do telefone celular do banqueiro. Segundo a coluna de Malu Gaspar, eles trocavam mensagens de visualização única.
O conteúdo do material, referente a 17 de novembro do ano passado, dia da primeira prisão de Vorcaro, sugere um diálogo a respeito do processo de venda de parte do Master. A transação, que teria um grupo dos Emirados Árabes Unidos e a holding Fictor como partícipes, foi posteriormente abortada. Outras mensagens também sinalizam possível referência a um inquérito sigiloso contra o banqueiro que tramita na Justiça Federal.
Na sexta-feira (6), Moraes emitiu nota para negar ter conversado com Vorcaro.
“No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, diz o comunicado.
Mais cedo, nesta segunda, o Barci de Moraes, escritório de Viviane, afirmou que o acordo com o Master, vigente entre fevereiro de 2024 e novembro do ano passado, serviu para “ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 advogados”. Para cumprir o escopo do vínculo, disse a banca, três outros escritórios foram contratados.
Segundo o Barci de Moraes, não houve atuação do escritório em causas do Master no STF.
