A ideia da base de Zema para votar vetos e limpar a pauta do plenário da ALMG

Governistas querem analisar decisões do Executivo o mais breve possível e, assim, abrir espaço para novos projetos de lei
O líder do governo Zema na Assembleia
O líder do governo Zema na Assembleia, João Magalhães (MDB). Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

A base aliada ao governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deseja analisar, nesta semana, os oito vetos que travam a pauta do plenário. A intenção é colocar as deliberações do Executivo em debate o quanto antes, a fim de abrir espaço para a votação de novos projetos de lei, como o que concede recomposição salarial de 5,4% aos servidores públicos.

O Fator apurou que os governistas levarão a ideia à reunião do Colégio de Líderes da Casa, prevista para esta terça-feira (17). Como a reposição ofertada pelo Palácio Tiradentes é superior à inflação oficial, que terminou 2025 acumulada em 4,26%, o texto precisa ser sancionado até 3 de abril, sob risco de ferir a legislação eleitoral. A tendência é que a assinatura fique para o vice Mateus Simões (PSD), que tomará posse na chefia governamental no domingo (22).

Os vetos dizem respeito a propostas anteriormente aprovadas pelo Legislativo, mas alvo de questionamentos — totais ou parciais — do Executivo. 

No topo da lista, está o Veto 26/2025, em que Zema barrou dispositivo que limitava a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) a apenas um veículo por contribuinte em determinadas hipóteses. No mesmo texto, ele brecou a regra que elevaria para 25% o valor da multa moratória por atraso no pagamento de tributos.

O Executivo argumentou que restringir a quantidade de automóveis vai contra a proposta de incentivar o uso de combustível limpo. Além disso, afirmou que o percentual contraria entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que considera 20% o teto para esse tipo de penalidade.

Já o Veto 28/2025 recai sobre trecho de proposta que alterava a lei de organização da Defensoria Pública do Estado. O dispositivo equiparava o direito de férias dos defensores públicos ao dos magistrados. Segundo o governo, a equiparação não está prevista na Constituição e extrapola a simetria institucional aplicável à carreira.

No Veto 29/2025, o governador barrou parte do projeto que proibia contratos de locação, cessão ou prestação de serviços com cães para atividades de vigilância e segurança privada. A justificativa do Executivo é que a medida trata de relações contratuais regidas pelo direito civil, matéria de competência legislativa da União.

Propag também compõe a lista

A relação de decisões governamentais que carecem de avaliação legislativa também tem um item ligado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Trata-se do Veto 30/2025, que atingiu parte da proposta que autorizava a transferência da participação do Executivo estadual na Minas Gerais Participações S.A. (MGI) para a União. 

O governo vetou dispositivo que estabelecia condição para a transferência baseada na comparação entre o valor da participação societária e o valor de mercado das ações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) detidas pela empresa.

Já o Veto 31/2026 foi total e atingiu projeto que alterava regras de consignação em folha de pagamento de servidores públicos estaduais. O texto condicionava o desconto de valores relativos a reposição ou indenização ao erário à autorização expressa do servidor após a conclusão de processo administrativo. Segundo a administração estadual, a medida comprometeria a possibilidade de execução administrativa dessas cobranças.

Também foi total o Veto 32/2026, que barrou projeto que previa promoção por escolaridade adicional para servidores de carreiras universitárias do Estado sem exigência de intervalo entre jornadas. O Executivo alegou que a proposta trata do regime jurídico de servidores públicos, matéria cuja iniciativa legislativa cabe ao governador.

O Veto 33/2026 é parcial e recai sobre dispositivo incluído na lei do orçamento estadual de 2026. O trecho vetado prorrogava até 31 de dezembro de 2026 a vigência do Fundo de Apoio Habitacional aos Militares do Estado de Minas Gerais. O governo argumentou que a lei aprovada posteriormente já estendeu a vigência do fundo até 2040.

Por fim, o Veto 34/2026 atinge trechos da lei que institui a política estadual de recuperação de áreas degradadas. O governo alegou que parte das regras previstas já é disciplinada pela legislação federal sobre resíduos sólidos e que outros dispositivos interferem na organização administrativa do Executivo.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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