As últimas movimentações do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se tornaram um novo empecilho nas conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Rodrigo Pacheco (PSB) sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.
Fontes relataram que há uma expectativa de que ocorra um encontro entre o petista e o senador, em Brasília, ainda nesta semana. Como mostrou O Fator, desde o ano passado, as conversas sobre a corrida eleitoral no estado têm sido conduzidas por Lula, sem interlocutores.
Se não bastasse a demora já conhecida do parlamentar em decidir entre candidatar-se ao comando do estado ou deixar a vida pública, auxiliares do Palácio do Planalto dizem que o “pé atrás” na negociação agora reside no petista. Pacheco, vale lembrar, disse que dará uma resposta até o fim deste mês.
Incômodo com interferência de Alcolumbre
Conforme apurou O Fator, a “vingança” do amapaense ao trabalhar, no final de abril, para a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) no plenário do Senado ainda não foi esquecida por Lula. Alcolumbre defendia o nome de Pacheco para o cargo.
A nova investida, de colocar o nome do senador como opção para o Tribunal de Contas da União (TCU) na vaga destinada ao Senado com a possível saída antecipada de Bruno Dantas, irritou ainda mais o petista. Lula contou a interlocutores que o presidente do Senado não quer dar trégua.
Além disso, o presidente já teria dito a auxiliares que há uma dúvida se um eventual “sim” de Pacheco não poderia, mais à frente, ser revertido. Isso porque Alcolumbre deixou claro que continuará buscando novos caminhos para o senador, sempre tratado por Lula como a opção número 1 para o comando do estado.
Como ainda não há uma definição por parte da Presidência da República sobre a relação com o amapaense, o petista sabe que uma conversa sobre o governo de Minas com Pacheco passará, necessariamente, pela relação entre o Executivo e o Legislativo. E o senador, nesse cenário, é visto como o denominador “apaziguador”.
Busca por trégua
Interlocutores dos dois lados tentam buscar uma “trégua” nessa relação para destravar pautas de interesse do governo federal no Senado e levar a União a honrar entregas de interesse de Alcolumbre. Pelo governo, a missão está com o ministro-chefe de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE).
Mas, mesmo com o discurso de Lula de olhar para frente, Alcolumbre se ausentou nesta terça-feira (12) do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, no Palácio do Planalto. Pauta prioritária do governo que busca a reeleição, o programa conta com medidas que dependem do Congresso.
PT de Minas em constante espera
Enquanto isso, o senador por Minas continua se desvencilhando de conversas com petistas e correligionários sobre a corrida eleitoral ao governo mineiro. Na segunda-feira (11), nomes do PT no estado se reuniram para tratar sobre o assunto.
Dentro da sigla, cresceu nos últimos dias a avaliação de que o parlamentar pode optar por não entrar na disputa. Integrantes do partido admitem que a indefinição já levou dirigentes a retomar discussões sobre alternativas para o palanque no estado, que é o segundo maior colégio eleitoral do país.
Nesse contexto, o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparece como opção. Já a movimentação em torno do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), apesar de benquisto por parte do leque de partidos aliados de Lula, ainda é vista com cautela por setores do PT.
A percepção de interlocutores é de que o MDB mineiro não trata uma eventual candidatura como prioridade. Além disso, Lula já teria dito a auxiliares que outros nomes podem ser buscados dentro do PT ou do PSB, como “sacrifício”, para que o presidente tenha palanque no estado.
Aliados envolvidos nas conversas também relatam incômodo com a condução das negociações. A avaliação é de que Lula e Pacheco centralizaram as tratativas, enquanto lideranças estaduais ficaram apenas “na torcida”, acompanhando os movimentos sem participação efetiva nas decisões.