O tom mais moderado adotado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) foi bem recebido por dirigentes e pré-candidatos do Novo em Minas Gerais após dias de desconforto interno provocados pelo vídeo em que o pré-candidato à Presidência da República atacou o parlamentar por causa do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo apurou O Fator, integrantes da legenda avaliaram positivamente a nova declaração feita por Zema no sábado (16), durante evento de lançamento de pré-candidaturas do partido em Belo Horizonte. Na ocasião, o ex-governador afirmou considerar o episódio uma “página virada” e voltou a destacar o respeito que mantém pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A fala foi interpretada como um recuo após a repercussão negativa gerada dentro do próprio Novo pela publicação do vídeo divulgado na quarta-feira (13), quando Zema classificou como “imperdoável” o áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava recursos de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai.
Dirigentes mineiros afirmam reservadamente que a mudança de tom ajudou a reduzir a tensão interna aberta nos últimos dias, especialmente entre pré-candidatos ligados ao eleitorado conservador, que mantêm relação política próxima com setores do bolsonarismo.
Clima de preocupação
Segundo relatos feitos à reportagem, parte dos integrantes da chapa vinha demonstrando preocupação com os efeitos políticos do embate público entre Zema e Flávio, principalmente pelo impacto que isso poderia produzir na relação com eleitores bolsonaristas e em negociações ainda em curso com setores do PL em Minas Gerais.
O entendimento interno era de que a cobrança por transparência no caso Banco Master tinha respaldo dentro do partido, mas que a forma e o momento escolhidos por Zema criaram um desgaste político desnecessário.
Integrantes da legenda afirmam que o episódio também acabou colocando o governador Mateus Simões (PSD) em situação delicada diante de aliados bolsonaristas no estado, justamente em um momento de articulações para a eleição.
Aliados de Zema admitem reservadamente que a recalibragem do discurso teve influência de integrantes da própria pré-campanha presidencial do ex-governador, que passaram a avaliar que o confronto direto com Flávio Bolsonaro ampliava resistências dentro da direita e dificultava pontes políticas consideradas importantes para o próximo ciclo eleitoral.
Pré-candidatos do Novo afirmam que a nova fala de Zema “acalmou os ânimos” no partido e reduziu parte da preocupação que havia se instalado entre integrantes da chapa com o risco de rompimento definitivo com setores do bolsonarismo mineiro.