As críticas dos diretórios do Novo no Paraná e em Santa Catarina ao vídeo publicado pelo ex-governador Romeu Zema contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliaram o desconforto interno no partido em Minas Gerais. Segundo apurou O Fator, a avaliação predominante entre dirigentes e pré-candidatos da legenda é de concordância com o conteúdo do posicionamento, mas de incômodo com a forma e o momento da divulgação.
Zema chamou de “tapa na cara dos brasileiros de bem” o áudio enviado por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para cobrar o pagamento de parcelas do financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Integrantes do diretório mineiro afirmam que há apoio à cobrança de transparência no caso do Banco Master. A crítica interna, porém, concentra-se na divulgação do vídeo sem alinhamento político prévio e em meio a negociações delicadas com setores do PL.
Reservadamente, componentes do partido afirmam que Zema agiu de forma coerente com os princípios defendidos pelo Novo e que “não existe confusão quando se está sendo correto”. Apesar disso, nenhum dos pré-candidatos a deputado federal pela sigla ouvidos pela reportagem fez defesa pública do vídeo.
Outro integrante da direção estadual afirmou que o entendimento majoritário dentro do Novo é favorável ao posicionamento de Zema, mas classificou a publicação como precipitada. Segundo ele, o episódio gerou preocupação pelo impacto nas articulações políticas em andamento.
O clima de cautela é mais evidente entre integrantes da chapa ligados ao eleitorado bolsonarista. Sob reservas, representantes desse grupo de pré-candidatos afirmam não pretender entrar no embate entre Zema e Flávio Bolsonaro por receio de desgaste junto à base conservadora e de perda de eleitores.
Oficialmente
Em nota divulgada nesta quarta-feira (14), o diretório do Novo em Minas Gerais reafirmou apoio à continuidade das investigações sobre o Banco Master e defendeu a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso.
No texto, a sigla afirma que as apurações possuem “gravidade e relevância pública” e cobra atuação firme dos órgãos de fiscalização e controle.
O partido também destacou que a doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel, ao Novo nas eleições de 2022 foi declarada oficialmente nas prestações de contas. A legenda argumentou que, à época, “as ilegalidades do Banco Master ainda eram desconhecidas”.
Na nota, o Novo afirma ainda que “jamais escondeu a origem de suas doações” e diz manter postura de “independência absoluta, compromisso com a legalidade e coragem para denunciar quaisquer indícios de irregularidade, independentemente de quem esteja envolvido”.
Ataque a Flávio afasta composição
No PL, o entendimento é de que o vídeo divulgado por Zema praticamente encerra qualquer possibilidade de aproximação política entre o ex-governador e o grupo de Flávio Bolsonaro para 2026.
“Infelizmente, Zema se mostrou oportunista, extremamente infeliz e até injusto por sair atacando sem antes ouvir a explicação de Flávio”, disse mais cedo à reportagem o deputado federal Domingos Sávio, secretário-geral do PL em Minas e pré-candidato a senador.
O desgaste também atingiu as articulações em Minas Gerais. Na terça-feira (12), integrantes do PL reforçaram a aproximação com o grupo do senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, em movimento interpretado por aliados como sinal de afastamento do entorno do governador Mateus Simões (PSD), alinhado a Zema.
Sul do Brasil
Nas notas divulgadas, os diretórios do Novo no Paraná e em Santa Catarina afirmaram que o vídeo foi publicado sem alinhamento prévio com o partido e classificaram a divulgação como “precipitada” e “desnecessária”. Apesar das críticas, os dois diretórios defenderam investigações sobre o caso Master e reafirmaram a manutenção das alianças regionais com o PL.