A Sabesp indicou oficialmente que não apresentará oferta para se tornar acionista majoritária da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A O Fator, a companhia paulista afirmou que “entende que existem relevantes oportunidades de crescimento no próprio estado de São Paulo”. A empresa ainda salientou que “mantém foco na execução do seu plano de investimentos”.
A Sabesp foi uma das corporações que se credenciou para participar do processo de privatização da Copasa. A Aegea também formalizou interesse em apresentar oferta.
Como O Fator mostrou nessa quarta-feira (20), a Equatorial, sócia de referência da Sabesp, demonstra dúvidas quanto a entrar na empreitada.
“Neste momento, a Companhia entende que existem relevantes oportunidades de crescimento no próprio Estado de São Paulo, incluindo iniciativas recentemente lançadas, como o Programa UniversalizaSP, e mantém foco na execução do seu plano de investimentos e na geração de valor para clientes, sociedade e acionistas”, pontuou a Sabesp. (Leia a nota na íntegra ao fim deste texto)
A empresa afirmou que avalia eventuais oportunidades de mercado com “com cuidado e responsabilidade, considerando alinhamento estratégico, sinergias operacionais, retorno econômico-financeiro, capacidade de execução e viabilidade de financiamento e, quando aderentes, submetidas aos órgãos de governança competentes”.
O plano do governo de Minas é vender 30% dos 50,03% que possui na Copasa a um investidor âncora. É essa a fatia que Aegea e Sabesp sinalizaram disposição de disputar.
Outros 15% da porção governamental serão postos para compra fracionada no mercado. O plano do Executivo é manter os 5% restantes, com uma golden share, garantindo direito de veto em decisões estratégicas.
A modelagem com parceiro de referência é tida como muito provável, mas o Palácio Tiradentes desenhou um plano B. Esse segundo cenário contempla a pulverização do capital acionário da Copasa, com transformação em uma corporation.
Documentos entregues
Para protocolar a manifestação de interesse, Sabesp e Aegea tiveram de entregar uma série de documentos à Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que será a responsável por operar a oferta.
Os dois grupos precisaram apresentar uma carta-fiança de R$ 7 bilhões. Também houve a necessidade de comprovar investimentos prévios de mais de R$ 6 bilhões em infraestrutura.
A Equatorial entrou na Sabesp em julho de 2024, quando a privatização da empresa de São Paulo foi concluída. A companhia privada investiu R$ 6,9 bilhões para ficar com 15% de participação.
Oferta à vista
Fontes a par do processo de privatização acreditam que a oferta de privatização da Copasa será lançada ainda nesta semana. A expectativa está alicerçada em decisão proferida na segunda-feira (18) pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). A Corte monitora a desestatização por meio de um procedimento de acompanhamento e autorizou o avanço dos trâmites relacionados à negociação.
A Perfin, dona de 15% da atual composição acionária da Copasa, disputará uma parte dos outros 15% disponíveis para disputa livre, a fim de se tornar uma espécie de líder do bloco minoritário.
O que diz a Sabesp?
A Sabesp informa que, desde sua desestatização em 2024, tem como prioridade a universalização dos serviços nos 375 municípios de sua área de concessão no Estado de São Paulo, a modernização e renovação de ativos que há décadas demandavam investimentos e a melhoria contínua da prestação de serviços aos clientes.
A Companhia está executando um robusto programa de investimentos que, em 2026, deverá representar o maior volume anual de investimentos da história da Sabesp, acelerando a universalização, ampliando a resiliência dos sistemas e promovendo melhorias na experiência dos clientes.
Eventuais oportunidades de mercado são avaliadas com cuidado e responsabilidade, considerando alinhamento estratégico, sinergias operacionais, retorno econômico-financeiro, capacidade de execução e viabilidade de financiamento e, quando aderentes, submetidas aos órgãos de governança competentes.
Neste momento, a Companhia entende que existem relevantes oportunidades de crescimento no próprio Estado de São Paulo, incluindo iniciativas recentemente lançadas, como o Programa UniversalizaSP, e mantém foco na execução do seu plano de investimentos e na geração de valor para clientes, sociedade e acionistas.