O PSDB intensificou as articulações com Alexandre Kalil, pré-candidato do PDT ao governo de Minas Gerais A O Fator, o deputado federal e presidente do partido no estado, Paulo Abi-Ackel, confirmou as conversas e afirmou que a principal condição é que Kalil não esteja alinhado politicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em 2022, Kalil apoiou Lula e se aproximou do campo petista. Agora, porém, com o desgaste na relação entre os dois, o ex-prefeito de Belo Horizonte resiste a uma nova composição com o PT.
Segundo apurou a reportagem, Kalil voltou a se reunir na segunda-feira (18) com o presidente nacional do PSDB, o deputado federal Aécio Neves, e com Abi-Ackel. Foi o segundo encontro entre eles em poucas semanas. A movimentação ganhou força após o esvaziamento da possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao Palácio Tiradentes.
Também a O Fator, outros dirigentes tucanos avaliam que Kalil tem capacidade de diálogo fora dos polos mais radicalizados da política nacional. É justamente esse o espaço que o PSDB tenta ocupar.
Historicamente, a legenda protagonizou a polarização nacional durante décadas, especialmente nas disputas presidenciais contra o PT. A leitura interna do partido, porém, é de que o cenário político mudou com o fortalecimento de setores mais extremados da direita e da esquerda. Diante disso, dirigentes defendem uma linha mais moderada, institucional e menos ideológica.
A avaliação dentro do PSDB é de que a legenda ainda preserva capital político, tradição administrativa e influência regional suficientes para voltar ao centro do debate nacional. Sob o comando de Abi-Ackel em Minas e com Aécio conduzindo articulações nacionais, o partido aposta em nomes capazes de dialogar além das bolhas políticas tradicionais.
Aécio volta ao radar presidencial
Enquanto participa das articulações mineiras, Aécio Neves também voltou a ser estimulado por lideranças políticas a disputar a Presidência da República em 2026.
Caciques ligados ao centro e à centro-direita passaram a defender uma candidatura do tucano diante da resistência de parte desse grupo às pré-candidaturas já colocadas até agora, como as de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Mesmo antes da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, dirigentes tucanos de diferentes estados já tentavam convencer Aécio a voltar ao cenário presidencial.
Agora, o debate deve ganhar caráter formal. A pedido de Roberto Freire, a federação entre PSDB e Cidadania se reunirá na próxima terça-feira, 26, para discutir especificamente o tema.
Reservadamente, Aécio afirma a interlocutores que mantém cautela diante das movimentações. Segundo apuração da reportagem, porém, uma candidatura presidencial é considerada possibilidade real pelo deputado.
Ao mesmo tempo, Kalil também teria convidado o tucano para integrar uma eventual chapa ao governo de Minas como candidato ao Senado. A hipótese ainda é tratada com cautela, mas reforça o movimento de reaproximação entre o ex-prefeito e o núcleo tucano mineiro.