O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou nesta sexta-feira (29) que vai deixar a vida política e não pretende disputar novos cargos eletivos, indicando que seu ciclo de 12 anos na atividade pública será encerrado ao fim do atual mandato.
A declaração foi feita durante evento com empresários em São Paulo e reforçada em entrevista posterior, na qual o parlamentar também sinalizou que deve retomar integralmente a carreira na advocacia.
“Eu tenho 12 anos de vida pública, fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos, tenho uma vida plenamente realizada e é sempre um momento de avaliar ciclos. Há o fechamento do ciclo na política, que decidi fazer, com sentimento de dever cumprido, muitas realizações e um coração muito tranquilo em relação a essa decisão”, declarou.
Segundo Pacheco, a decisão de não permanecer na política foi planejada previamente e está mantida mesmo diante de articulações que o colocavam como possível candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. Ele era considerado o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa estadual.
Ele também minimizou qualquer desacerto com o presidente Lula: “Eu não estou desistindo de uma candidatura. Eu havia decidido não ser candidato, ele havia feito um pedido a mim que refletisse a respeito disso, eu refleti ao longo desse tempo e mantive a minha decisão que já havia sido antes tomada”.
O parlamentar completou que, se está fechando o ciclo da política, é naturalmente para que outros nomes possam surgir e liderar esse processo. Ao justificar a decisão, ele acrescentou que sempre considerou a atuação política como temporária. “
“Eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que eu não me eternizaria na política, eu tenho muito desapego a poder”, disse. Pacheco completou que não depende da atividade pública para sua subsistência: “Felizmente, não preciso da política para viver, para sobreviver”.
Fala a empresários
Durante o evento promovido pelo grupo Lide, Pacheco adiantou também que sua atuação profissional passará a ser exclusiva na área jurídica. “Em breve será só o direito”, disse, ao mencionar sua trajetória atual dividida entre a advocacia e a política.
O senador também declarou que este é seu “12º e último ano na política”, ao fazer um balanço da atuação no Congresso Nacional. Ele ocupou a presidência do Senado entre 2021 e 2025 e citou que teve participação em pautas legislativas prioritárias no período, como o Refis e a Reforma Tributária.
“Me refiro a 12 anos porque é o tempo que eu tenho de política — estou no meu 12º e último ano da política — e essas pautas foram pautas de prioridade do Congresso Nacional nesses tempos”, afirmou.
Ida para o TCU
Nos bastidores, a saída de Pacheco ocorre em meio a movimentos políticos que buscavam mantê-lo em funções públicas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula a possibilidade de indicá-lo para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), que pode ser aberta com a eventual aposentadoria do ministro Bruno Dantas.
O parlamentar, no entanto, não confirmou interesse no posto: “Não tenho nenhuma expectativa ou perspectiva de ingresso em Tribunal Superior, inclusive o Supremo Tribunal Federal. Se isso foi cogitado em algum momento, isso foi bem resolvido, é uma página virada e não tem nenhuma expectativa nesse sentido”, declarou.
Outros nomes em Minas
Pacheco indicou que sua saída abre espaço para novas lideranças em Minas Gerais e citou nomes que, segundo ele, têm condições de disputar cargos majoritários no estado, como o empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp) Josué Gomes; o ex-procurador-geral de Justiça de MInas Jarbas Soares; e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, a quem classificou como uma candidatura consolidada ao Senado.
“Quando se chega à conclusão que o ciclo da política fechou, é difícil a gente opinar sobre nomes”, afirmou o senador ao comentar o cenário eleitoral mineiro. Ele acrescentou que pretende se afastar de decisões sobre candidaturas, defendendo que novos quadros assumam a condução política no estado.