Após negativa de Pacheco, PT discute eleição em Minas e vê ex-reitora da UFMG ganhar força com aval de Lula

Diretório estadual está reunido nesta sexta; após recusas de Reginaldo Lopes e Marília Campos, ex-reitora é consultada
O presidente nacional do PT, Edinho Silva
Edinho Silva conduz as negociações em Brasília, mas nomes estaduais reclamam que as discussões avançaram sem definição interna no partido. Foto: PT Nacional

O diretório estadual do PT se reúne nesta sexta-feira (29) para discutir os rumos da sucessão em Minas Gerais. Com o anúncio de Rodrigo Pacheco (PSB) de que deixará a vida política, as negativas de petistas em entrar na disputa e a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por candidatura própria no estado, a ex-reitora da UFMG Sandra Goulart aparece como opção para encabeçar o palanque.

Conforme apurou O Fator, diante da pressão do MDB e do PSB para que o nome principal da chapa saia de suas fileiras, Lula informou a interlocutores que prefere um quadro petista, de sua confiança, na cabeça de chapa. Nesse cenário, a vaga de vice ficaria com um partido aliado.

Sandra já teria sido consultada nesta semana por Edinho Silva sobre uma possível candidatura e deu aval para o avanço das articulações. A ex-reitora ganhou força após as recusas do deputado federal Reginaldo Lopes e da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, que não abre mão de disputar o Senado.

Pesaram a favor dela a defesa da educação pública e o fato de ser mulher, o que ampliaria a diversidade da chapa. Além disso, segundo apurou a reportagem, o nome é defendido por Reginaldo Lopes, que, apesar das negativas públicas, segue pressionado por lideranças partidárias a entrar na disputa.

Apesar das preferências de Lula, lideranças mineiras não desistiram de defender alianças com outras legendas, em que o PT entraria com Marília ao Senado e indicaria o vice, por exemplo. O receio é afastar partidos aliados e enfraquecer a montagem das chapas proporcionais.

Outras possibilidades

O grupo político ligado a Marília chegou a defender o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), sob a avaliação de que ele poderia reunir diferentes setores do campo de centro-esquerda. O cenário perdeu força diante da falta de disposição do ex-prefeito e do desgaste na relação dele com Lula nos últimos anos, além da resistência do presidente à reaproximação.

Com o enfraquecimento dessa hipótese, ganhou espaço uma aproximação com Gabriel Azevedo (MDB). O PV aparece entre os principais defensores da composição, mas ela não é consenso entre petistas, assim como o nome do ex-procurador Jarbas Soares Júnior (PSB), que tenta viabilizar espaço como vice ou até mesmo cabeça de chapa.

Queixas internas

Por trás das discussões, há uma avaliação compartilhada entre diferentes correntes do partido: o PT ainda não definiu sua estratégia para Minas Gerais. A expectativa para a reunião não é anunciar uma solução, mas estabelecer um prazo para decisão.

Apesar das divergências internas, existe um ponto de convergência entre lideranças estaduais. As principais queixas se concentram nas articulações conduzidas em Brasília. O encontro deve servir para discutir os impasses e definir um cronograma para solucionar a indefinição sobre a candidatura ao governo.

Além disso, a reunião deve ser marcada por críticas à condução das negociações pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. Dirigentes estaduais reclamam que as discussões sobre o cenário eleitoral mineiro avançaram em Brasília antes de qualquer definição interna. O mal-estar atingiu especialmente a relação dele com a presidente estadual da legenda, Leninha.

Lula observa

Enquanto o PT mineiro tenta equacionar divergências internas, Lula ainda não indicou publicamente qual caminho considera ideal para Minas. O presidente havia dado aval para negociações com o ex-presidente da Fiesp Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Interlocutores envolvidos nas conversas, contudo, disseram que o empresário não transmitiu confiança.

Como mostrou O Fator, Lula demonstra certa tranquilidade em relação ao palanque em Minas nas eleições deste ano. Enquanto a indefinição preocupa lideranças estaduais, interlocutores do presidente tratam o cenário com naturalidade.

A avaliação de estrategistas é de que, em Minas, Lula sempre dependeu principalmente do próprio capital político e dos programas associados ao governo federal. Diante do cenário indefinido, o Planalto trabalha desde o início do ano para ampliar a divulgação de programas sociais no estado.

Nos bastidores, um dos fatores apontados é a disposição histórica do eleitor mineiro de dissociar o voto para presidente do voto para governador. O principal exemplo citado é o “voto lulécio” nos pleitos de 2002 e 2006, quando Lula venceu a eleição presidencial e o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB) foi eleito governador de Minas Gerais.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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