Dívida de Minas pode ultrapassar R$ 211 bilhões em três anos, projeta governo

Cálculos do Executivo estadual detalham evolução estimada de passivo bilionário até o início da próxima década
A Cidade Administrativa
Neste ano, governo começou a pagar parcelas da dívida com a União nos moldes do Propag. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O estoque da dívida pública de Minas Gerais pode ultrapassar os R$ 211 bilhões em três anos. É o que aponta projeção do Executivo estadual encaminhada aos deputados estaduais em um dos anexos do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. Segundo o material, obtido por O Fator, há chance de o valor chegar a R$ 211,4 bilhões em 2029.

Para o ano que vem, a estimativa para o estoque da dívida é de R$ 205,3 bilhões. Conforme consulta feita nesta sexta-feira (29) ao painel de débitos estaduais, gerido pela Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), atualmente, o passivo total está em R$ 206,6 bilhões, valor que considera o saldo negativo junto à União e também acordos feitos com outros entes, como empréstimos internacionais.

Eis a evolução do estoque da dívida projetada pela PLDO:

  • 2027: R$ 205,3 bilhões;
  • 2028: R$ 209 bilhões;
  • 2029: R$ 211,4 bilhões;
  • 2030: R$ 211,2 bilhões;
  • 2031: R$ 209,5 bilhões.

Serviço da dívida gerará gasto de quase R$ 8 bi em 2027

Ainda de acordo com os cálculos apensados ao projeto, o erário estadual arcará com R$ 7,76 bilhões com amortizações de dívidas, encargos e juros no ano que vem. 

A cifra é dividida da seguinte forma:

  • R$ 6,29 bilhões em amortização;
  • R$ 1,36 bilhão em juros;
  • R$ 98,8 milhões em encargos.

No que diz respeito exclusivamente à amortização, há crescimento de 135% em relação a 2024, quando foram gastos R$ 2,68 bilhões. O incremento tem relação com a adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que, além de exigir parcelas mensais para a diminuição do passivo junto à União, obrigou Minas Gerais a retomar a quitação de prestações de empréstimos que tiveram o governo federal como ente garantidor.

A necessidade de reservar R$ 7,76 bilhões para as obrigações referentes às dívidas ajudou a aumentar as despesas estimadas para o ano que vem. Se a Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano calcula gastos da ordem de R$ 147 bilhões, a PLDO de 2027 eleva esse número para R$ 150,5 bilhões.

Custos obrigatórios dominam despesas

Dos R$ 150,5 bilhões em despesas, R$ 132,7 bilhões — cerca de 88% — correspondem aos chamados gastos obrigatórios. Além das dívidas, entram nessa conta a folha de pessoal, que consumirá R$ 96,2 bilhões, e os gastos constitucionais, que exigirão R$ 11,6 bilhões.

Os custos, quando contrapostos à receita projetada de R$ 142,8 bilhões, dão forma a um rombo previsto de R$ 7,67 bilhões.

“Esse cenário é influenciado, dentre outros motivos, pelos efeitos da reforma tributária nacional, com a redução das transferências da cota-parte do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), e, paralelamente, pelos pagamentos crescentes da dívida nos termos do Propag, seguindo firmemente o propósito de equalizar as contas públicas”, justificou o governador Mateus Simões (PSD).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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