Sem Pacheco, PT decide ‘abrir imediatamente’ conversas por candidatura própria ao governo de Minas

Em resolução, partido diz ser ‘inadmissível’ a postura de ainda aguardar por ‘nomes externos’ para encabeçar palanque de Lula
A reitora Sandra Goulart
Sandra Goulart é cotada para encabeçar a chapa do PT em Minas. Foto: Luiz Santana/ALMG

O PT decidiu oficialmente iniciar as conversas por uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais. A ideia consta em resolução distribuída neste sábado (30) aos militantes do partido. O texto, elaborado pela Executiva estadual da sigla, diz ser “inadmissível que, em pleno maio de 2026”, a agremiação esteja “esperando por nomes externos” para encabeçar o palanque local do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A resolução foi construída após o senador Rodrigo Pacheco (PSB), plano A de Lula para a disputa ao Palácio Tiradentes, tornar pública a decisão de não concorrer. Nessa sexta-feira (29), o ex-presidente do Congresso Nacional confirmou que deixará a vida pública ao fim de seu mandato parlamentar.

“Considerando os diversos quadros qualificados que o PT de Minas possui, é inadmissível que, em pleno maio de 2026, ainda estejamos esperando por nomes externos ao partido para liderar nosso projeto de transformação no estado. Essa indefinição só fortalece nossos adversários e enfraquece o campo democrático. Nesse sentido, a direção estadual do PT Minas Gerais decide abrir imediatamente o debate interno para a construção de uma candidatura própria ao Governo do Estado, preservando o diálogo com os partidos do campo progressista”, lê-se em trecho do texto, acessado por O Fator.

Como a reportagem mostrou, Lula já havia sinalizado que, em um cenário sem Pacheco, tem predileção pela apresentação de uma candidatura nativa do PT. O deputado federal Reginaldo Lopes e a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, eram tidos como opções prioritárias, mas já indicaram que não pretendem encampar a empreitada. Por isso, o nome de Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ganhou força.

“Entendemos que a apresentação de uma candidatura própria do PT — construída em unidade com os partidos da Federação (que ainda tem PCdoB e PV), em diálogo permanente com os movimentos sociais, sindicais e articulada à liderança do Presidente Lula — é o melhor caminho para ampliar o debate e envolvimento de nossa militância e consolidar um verdadeiro projeto de reconstrução para Minas Gerais” prossegue a cúpula do PT mineiro, na resolução.

Grupo de trabalho fará ‘consultas aos nomes’

Ainda conforme a resolução, o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT em Minas terá “o papel de iniciar as consultas aos nomes” cotados para representar o partido na corrida pelo Executivo. As sondagens, explicou a legenda, acontecerão em diálogo com o GTE da direção nacional petista.

“Nossa tática eleitoral deve ter como eixo central a reeleição do presidente Lula, a eleição de Marília Campos ao Senado Federal e a ampliação de nossas bancadas Estadual e Federal, fortalecendo o campodemocrático e enfrentando, com firmeza, a extrema direita no estado”, defende o PT.

Defesa por diálogo externo

Apesar da iniciativa do PT de intensificar tratativas por candidatura própria, interlocutores da sigla pontuam que qualquer decisão tem de ser precedida por conversas com legendas do arco de alianças de Lula. Marília Campos, que rechaçou a hipótese de pleitear a sucessão de Mateus Simões (PSD) por estar focada na pré-candidatura ao Senado, chegou a sugerir ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, que abra pontes junto a Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e pré-candidato do MDB. 

Edinho, aliás, marcou reunião com Josué Gomes, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Filiado ao PSB, o empresário tem sido tratado por correligionários de Pacheco como uma opção para aparecer nas urnas, mas ainda não se manifestou publicamente a respeito do assunto.

Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, chegou a ter o nome citado em um passado recente, mas perdeu força. A avaliação é de que as rusgas acumuladas na campanha de 2022, quando deu palanque a Lula, pesam contra a repetição da dobradinha.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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