A decisão do consórcio de sócios da Aegea de não apresentar nova proposta para assumir o posto de investidor de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi tomada após a estatal fixar em R$ 47,23 o preço mínimo por ação. A saída do veículo, batizado de Livorno Participações S/A, abriu caminho para a vitória da Equatorial, que ofereceu R$ 49,03 por papel.
A vitória da Equatorial foi oficializada pela Copasa nessa quarta-feira (3). A operação totalizará cerca de R$ 5,5 bilhões.
Como O Fator mostrou ontem, interlocutores a par do assunto atribuíram a saída dos sócios da Aegea às mudanças nos parâmetros do processo de privatização. Não estava claro, contudo, o que especificamente havia motivado o recálculo da rota. A explicação partiu da Itaúsa, uma das acionistas da Livorno.
“Considerando o Anúncio de Retificação divulgado pela Copasa MG em 28.05.2026, que definiu o preço mínimo por ação, a Companhia decidiu, em conjunto com os demais acionistas da Livorno, não apresentar nova proposta no âmbito do processo de seleção do Investidor de Referência para a aquisição de ações representativas de 30% do capital total da Copasa MG”, pontuou.
A Livorno tinha três fatias de 33%, detidas por Itaúsa, Equipav e Fundo Soberano de Cingapura (GIC,). A Aegea, por sua vez, ficou com 1%.
Ao complementar a justificativa para o recuo, a Itaúsa salientou que a decisão está alinhada ao compromisso com “a disciplina na alocação de capital” e ao que chamou de “contínua criação de valor sustentável aos acionistas, investidas e à sociedade”.
Antecedentes
As propostas iniciais de Equatorial e Aegea foram entregues à Bolsa de Valores em 26 de maio. Dois dias depois, o governo de Minas Gerais informou a identificação de “fatores supervenientes” e promoveu mudanças em algumas regras do processo. Por isso, foi preciso relançar documentos como a lâmina da oferta e prospecto.
Segundo o Executivo estadual, as alterações foram promovidas após a detecção de bloqueios judiciais sobre 46.737 ações de titularidade do poder público. Diante da situação, os concorrentes receberam a prerrogativa de se retirar do páreo ou de apresentar novas ofertas, com o silêncio sendo entendido como manifestação de prosseguir na disputa mantendo a proposta anterior.
Posteriormente, a transação entre o governo de Minas e a Equatorial pode alcançar R$ 7,9 bilhões. O incremento está alicerçado no desejo do novo parceiro âncora de, mais à frente, promover alocação adicional por meio da aquisição de títulos destinados a investidores profissionais.
Próxima fatia
A privatização da Copasa utiliza a chamada oferta secundária, em que os recursos obtidos com a transação vão direto para o caixa do acionista vendedor. A gestão do governador Mateus Simões (PSD) deseja utilizar o montante arrecadado em obras de infraestrutura do leque de contrapartidas à adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Agora, as atenções se voltam para os outros 15%. Além da alocação adicional da Equatorial, Perfin, maior acionista privada da companhia, mira adquirir mais papéis por meio dessa etapa e, assim, se tornar uma espécie de líder dos minoritários.