Empresa operou transporte escolar da rede municipal de Contagem sem contrato por quatro meses

Episódio mais recente foi publicado na edição do Diário Oficial dessa quarta-feira (1°)
Ônibus escolares, transporte escolar
Veículos destinados ao transporte escolar. Foto: Diego Rocha/MEC

A Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), reconheceu oficialmente o pagamento de R$ 3,16 milhões por serviços de transporte escolar prestados sem cobertura contratual.

Um levantamento feito por O Fator em publicações do Diário Oficial da cidade identificou quatro termos de admissão de débito firmados pela Secretaria Municipal de Educação em favor de uma mesma empresa, a Águia Cooperativa Mista de Transportes Serviços Gerais (Coopermac), referentes aos meses de março, abril, maio e junho deste ano.

Em todos os documentos, a Prefeitura reconhece que os serviços foram executados “sem o devido respaldo contratual”.

O episódio mais recente foi publicado na edição do Diário Oficial dessa quarta-feira (1°). Nela, a prefeitura reconheceu uma dívida de R$ 334 mil por serviços prestados no mês passado.

Segundo o documento, mesmo sem acordo formal, Coopemac fez o transporte escolar com ônibus, motoristas, monitores, manutenção, combustível, seguro e rastreamento veicular para atender estudantes da rede municipal, inclusive alunos com mobilidade reduzida

O termo estabelece que o município efetuará o pagamento em até 10 dias após a publicação e repete uma observação que aparece desde o primeiro reconhecimento de dívida sem contrato: “Verifica-se a necessidade de eventual apuração de responsabilidade.”

Os documentos oficiais, entretanto, não informam se essa apuração foi instaurada, em que fase ela se encontra ou quais medidas administrativas eventualmente foram adotadas.

Os quatro termos, que possuem redação praticamente idêntica, apresentam os seguintes valores:

Março de 2026 R$ 1.325.448,50
Abril de 2026 R$ 1.170.651,03
Maio de 2026 R$ 326.355,60
Junho de 2026 R$ 334.027,81

Total R$ 3.156.482,94

O outro lado

A reportagem encaminhou pedido de esclarecimentos à Prefeitura de Contagem questionando, entre outros pontos, o que fez os serviços de transporte escolar serem executado sem respaldo contratual durante quatro meses consecutivos, quais fatores administrativos levaram à necessidade dos sucessivos reconhecimentos de dívida, se a apuração de responsabilidade mencionada nos próprios documentos foi efetivamente instaurada, se houve responsabilização de gestores ou servidores e se existem outros termos semelhantes relativos ao transporte escolar além dos identificados pelo levantamento.

Não houve resposta até o fechamento desta reportagem, mas o espaço segue aberto.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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