Sindicato prepara força-tarefa em Brasília para questionar aval do Cade à venda da Copasa

Entidade que apresentou recurso ao órgão antitruste planeja conversas com conselheiros e chegou a procurar representantes da AGU
Estrutura da Copasa
Equatorial é a nova investidora de referência da empresa mineira. Foto: Copasa/Divulgação

O sindicato que apresentou recurso contra a aprovação sem restrições, por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da compra de 30% da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), prepara uma espécie de força-tarefa para tentar emplacar a apelação. A ideia é conversar individualmente com os conselheiros que compõem o Tribunal Administrativo do órgão antitruste.

Nessa terça-feira (7), representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto (Sindágua-MG) procuraram interlocutores da Advocacia-Geral da União (AGU) para tratar do rito recursal no Cade

Durante a conversa, que contou com a participação do deputado federal Rogério Correia (PT), o grupo recebeu a resposta de que a AGU só pode atuar junto ao colegiado na fase de Acordo em Controle de Concentração (ACC). O expediente é utilizado quando a instituição antitruste percebe a possibilidade de melhorar os termos de um negócio que vai implicar em concentração concorrencial.

Em outra instância dos debates sobre a privatização, a AGU defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitasse ação proposta pelos diretórios nacionais de PT e Psol questionando a emenda constitucional que dispensou a necessidade de referendo popular prévio à venda.

Os argumentos de parte a parte

O recurso do Sindágua foi protocolado na segunda-feira (6). Na peça, a entidade pede que a aquisição de uma fatia da Copasa pelo Grupo Equatorial deixe o rito sumário, modalidade que permite exame mais célere, e passe a tramitar sob o rito ordinário, que implica na transferência do caso ao Tribunal Administrativo do Cade. 

De acordo com o Sindágua, o rito ordinário deve ser adotado porque a compra de 30% da Copasa está relacionada a outras movimentações no setor de saneamento. O sindicato menciona, por exemplo, a participação da Equatorial na paulista Sabesp.

“Sabesp e Copasa são, respectivamente, a maior e uma das maiores companhias de saneamento do país, e portanto dois dos principais pontos de referência do sistema de benchmarking regulatório estruturado pelo Marco Legal do Saneamento (art. 4º-A da Lei nº 9.984/2000). A unificação de sua orientação estratégica sob o mesmo acionista de referência jamais foi examinada pelo Cade”, lê-se em trecho do recurso.

A Equatorial ingressou na Copasa por meio de uma subsidiária, a Gerais Saneamento. Ao Cade, a holding sustentou que detém “participação minoritária e sem controle de 15% na Sabesp”. Nos documentos referentes à operação, a Equatorial afirmou ainda que a transação não suscitaria preocupações concorrenciais, já que opera saneamento apenas no Amapá.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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