Câmara de Governador Valadares entra com recurso para derrubar recondução de Coronel Sandro à prefeitura

Agravo foi apresentado na manhã desta quarta-feira (22) e quer suspensão da liminar concedida pelo ministro Flávio Dino.
Coronel Sandro (PL) de terno azul e falando ao microfone
Coronel Sandro voltou à prefeitura após liminar concedida por Dino. Foto: Luiz Santana/ALMG.

A Câmara de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, entrou com um recurso para derrubar a liminar que reconduziu Coronel Sandro (PL) à prefeitura local. O agravo, apresentado na manhã desta quarta-feira (22), quer a suspensão da decisão do ministro Flávio Dino, noticiada em primeira mão por O Fator na segunda-feira (20).

Além da suspensão da liminar, a Câmara pede o “restabelecimento da eficácia do Decreto Legislativo 916/2026)”, com posterior preservação do sucessor de Sandro, o vice-prefeito eleito José Bonifácio Mourão (PL). 

Flávio Dino reconduziu Coronel Sandro, alvo de um processo de impeachment na Câmara local, por meio de decisão monocrática. De acordo com o ministro, o processo de cassação contra o ex-deputado estadual descumpriu o rito previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, o que configura usurpação da competência legislativa da União. 

Assim, na interpretação de Dino, a Câmara local feriu a súmula vinculante nº 46 do STF. Esse texto estabelece que a definição de crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são de competência legislativa privativa da União.

Na prática, o decreto-lei citado determina que a primeira sessão de um processo de impeachment precisa reunir quatro atos: a leitura da denúncia, a deliberação sobre o seu recebimento, a constituição da comissão processante e a eleição do seu respectivo presidente e relator.

No caso de Sandro, no entanto, isso não aconteceu, já que a denúncia, apesar de conhecimento da Câmara desde 9 de fevereiro deste ano, só foi lida em 2 de março de 2026.

As alegações da Câmara

Por outro lado, no agravo obtido pela reportagem, a Câmara alega que o adiamento da leitura da denúncia aconteceu apenas por “ato concreto e episódico de organização de pauta por ‘norma’ local de processo e julgamento”. 

Ainda segundo o Legislativo municipal, a reclamação ajuizada pela defesa de Coronel Sandro foi usada como atalho processual. Como o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já havia analisado a questão, o ex-deputado deveria apresentar agravo ainda no âmbito do TJMG, o que não aconteceu.

A Câmara ainda alerta no agravo para a eventual instabilidade política criada em Valadares por conta da liminar concedida por Dino. “(A decisão do STF) retira da chefia do Executivo o sucessor constitucional empossado há mais de dois meses (José Bonifácio Mourão) e reinstala o mandatário cassado (Coronel Sandro) pela quase totalidade da representação popular, produzindo a segunda alternância de governo em dez semanas”, alega os vereadores no texto.

A Câmara ainda ressalta que a leitura da denúncia em 2 de março também ocorreu por força judicial. Uma liminar concedida pela 4ª Vara Cível de Governador Valadares ao denunciante Fabiano Márcio da Silva, segundo o agravo, fixou a data em questão para a realização da sessão.

A denúncia

Coronel Sandro deixou a prefeitura após a Câmara cassar seu mandato em 14 de maio. Houve 18 votos favoráveis ao impeachment e três manifestações contrárias. Desde então, Bonifácio Mourão, também do PL, está à frente do Executivo municipal.

O pedido de cassação, protocolado pelo morador Fabiano Márcio da Silva, remonta a julho do ano passado, quando a prefeitura rescindiu o contrato com a CPTRANSLETE, cooperativa que operava o sistema escolar. Poucos dias depois, em agosto, a empresa Alphavia Transportes e Máquinas teria assumido as rotas.

Segundo a acusação, a adesão de Valadares ao Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas) — estrutura escolhida para centralizar o novo serviço — e a assinatura do convênio só foram formalizadas em 3 de setembro de 2025, cerca de um mês após o início das atividades da Alphavia. O extrato contratual só foi publicado no Diário Oficial em outubro.

Ainda conforme a peça, a nova prestadora teria operado a frota utilizando parte da estrutura vinculada à cooperativa anterior.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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