Prefeito de Lagoa Santa rompe com vice ao descobrir articulação eleitoral que envolveria impeachment

Aliada de chapa teria se comprometido a apoiar candidaturas rivais para deputado em troca de movimentações contra Breno Salomão
O prefeito Breno Salomão e a vice Adélia Carmo. Foto: Divulgação

O prefeito de Lagoa Santa, Breno Salomão (PRD), rompeu relações políticas com a vice-prefeita e correligionária Adélia Carmo. A decisão foi tomada nessa terça-feira (21), após Salomão ser informado por interlocutores de que ela poderia apoiar candidaturas de um grupo político rival em troca de articulações que incluiriam a defesa do impeachment de Salomão.

Pelo que O Fator apurou, Adélia Carmo teria se comprometido a apoiar candidaturas ligadas ao grupo político do ex-vice-prefeito Genesco Aparecido (MDB), que disputou a eleição de 2024 contra Breno Salomão e é, atualmente, considerado o principal rival político do prefeito.

A primeira retaliação de Salomão foi excluir Adélia do grupo de WhatsApp da administração municipal. Em seguida, o prefeito enviou uma mensagem aos integrantes do grupo.

No texto, obtido por O Fator, Salomão diz que não aceitará “traições, deslealdade, falta de caráter e acima de tudo, projetos pessoais de poder sem honrar compromissos”.

Leia a íntegra abaixo:

“Tenho aprendido que lealdade e caráter não aparecem nos grandes discursos. Eles aparecem nas pequenas atitudes, principalmente quando ninguém está olhando.

Na política, uma das coisas que mais me chama a atenção é a distância entre o que algumas pessoas defendem e a forma como vivem. Falar de respeito é fácil. Difícil é praticá-lo quando as circunstâncias mudam.

Sempre fiz uma distinção muito clara na minha cabeça. Uma coisa são os adversários políticos. Eles fazem parte do jogo democrático, defendem outro projeto e é natural que exista firmeza, estratégia e até distanciamento na relação. Outra coisa, completamente diferente, são as pessoas que votaram contra nós. Elas não são nossas inimigas. São cidadãos que fizeram uma escolha.

E, sinceramente, não acredito que alguém seja convencido por provocações ou pequenas atitudes. Quem votou diferente de nós merece receber trabalho, resultado e respeito. Temos quatro anos para mostrar, com ações, que talvez aquela escolha pudesse ter sido outra. É assim que se conquista confiança.

Quando vejo determinadas postagens, não consigo enxergar força. Vejo apenas um retrato do caráter de quem as faz. E isso, para mim, sempre fala mais alto do que qualquer discurso.

As pessoas não são bobas. Elas observam. Podem até demorar para formar uma opinião, mas sabem reconhecer quem é coerente e quem muda de lado conforme a conveniência. Quem é desleal com um, cedo ou tarde será desleal com todos.

Por isso, não iremos aceitar traições, deslealdade, falta de caráter e acima de tudo, projetos pessoais de poder sem honrar compromissos. Nosso desafio é muito maior. Temos uma cidade para cuidar, compromissos para cumprir e muitas entregas para fazer. No fim das contas, é o trabalho sério que permanece. Todo o resto passa, perde força e acaba se tornando apenas mais um episódio sem importância.”

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Após ter operações embargadas, Sigma diz negociar TAC com governo de Minas

Integrantes do Novo veem Altoé à frente de Mitraud na lista de opções para vice de Simões

A resposta de Kalil a aceno do PT com vaga ao Senado

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse