Minas concentrou 10% das doações imobiliárias do Brasil em 2025

Alta nas transferências tem relação com a busca por segurança tributária, visto que alíquota do ITCD será modificada em breve
Foto mostra chaves e casa
Especialista diz que famílias buscam segurança tributária ao antecipar doações. Foto: Pixabay

Minas Gerais respondeu por 10,4% de todas as doações de imóveis ocorridas no Brasil em 2025. É o que mostra levantamento encaminhado com exclusividade a O Fator pela Mardô, consultoria especializada em governança familiar e sucessão patrimonial.

O estudo mapeou a existência de 185,8 mil doações imobiliárias no país no ano passado. Dessas, 19,4 mil escrituras foram registradas em solo mineiro.

Os números estaduais representam alta de 52% em relação a 2020, quando 12,7 mil transferências do tipo foram registradas. Em âmbito nacional, o incremento chegou a 59%.

Segundo a Mardô, o aumento está atrelado às mudanças na base de cálculo do Imposto sobre Transmissão Causa mortis e Doação (ITCD). O tributo, atualmente amparado em uma alíquota fixa de 5% em Minas, passará a ter um percentual progressivo, relacionado ao valor de mercado de cada bem. 

Conforme o relatório de gestão fiscal encaminhado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) aos deputados estaduais no início do ano, Minas arrecadou cerca de R$ 2 bilhões com essa rubrica no exercício passado.

Busca por segurança tributária ajuda a explicar

Márcia Dolores, CEO e fundadora da Mardô, diz que o aumento da procura pela formalização das doações guarda conexão com a busca por segurança tributária. Ela cita, ainda, a ideia das famílias de aumentar a proteção sobre os ativos imobiliários. 

“Minas Gerais concentra núcleos expressivos de capital produtivo. O número elevado de doações mostra que os patriarcas estão buscando organização fiscal, mas a titularidade não transfere, por si só, o preparo, a visão de futuro ou a legitimidade para decidir”, pontua, em menção ao fato de um volume considerável de doações contar com cláusulas de reserva de usufruto, que mantém o poder de decisão nas mãos dos doadores.

Conforme Márcia, a sucessão patrimonial não pode se resumir aos atos de transferência de ativos.

“Arrecadação não é patrimônio, escritura não é família e titularidade não é preparo. A grande lacuna no agronegócio e na indústria mineira está entre a assinatura da doação e a capacidade real da próxima geração de sustentar o legado econômico”, sustenta.

ITCD do Sudeste cresce mais de 70%

Os R$ 2 bilhões arrecadados por Minas com ITCD ajudam a explicar a subida da soma obtida pelos estados do Sudeste com o tributo no ano passado. A região movimentou R$ 10,6 bilhões com o tributo, valor 73% superior ao registrado cinco anos antes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

Minas concentrou 10% das doações imobiliárias do Brasil em 2025

Rodoanel: milhares de vidas mineiras nas mãos do TRF-6

Os motivos da pressão de filiados ao Novo sobre a campanha presidencial de Zema

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse