A campanha presidencial de Romeu Zema (Novo) enfrenta a maior crise interna desde o lançamento da candidatura. Dirigentes estaduais, concorrentes do Novo a cargos locais e outros correligionários pressionam o ex-governador de Minas Gerais a avaliar a desistência. O movimento, que nasceu no Sul e ganhou reforço de filiados de São Paulo e até mesmo do estado natal de Zema, foi levado à direção nacional.
A insatisfação tem origem nos números. A pesquisa Quaest divulgada nessa segunda-feira (7), com entrevistas entre 3 e 6 de setembro, mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança, com 36%, Flávio Bolsonaro (PL) com 29%, Augusto Cury (Avante) com 8%, e Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Zema empatados dentro da margem de erro, com 3%, 3% e 2%, respectivamente.
Para os críticos internos, o mineiro não descolou dos concorrentes menores e perdeu espaço para Cury, que segue em ascensão desde o início da propaganda eleitoral.
A linha seguida pelo marqueteiro Renato Pereira também é alvo de queixas. Zema adotou uma postura de críticas constantes ao Supremo Tribunal Federal (STF), com investidas pontuais contra o bolsonarismo. A escolha incomoda quem gostaria de vê-lo mais próximo do entorno de Flávio Bolsonaro, concorrente do PL.
A ausência de Zema no primeiro debate, promovido pela Band em 23 de agosto, virou símbolo do desgaste. A campanha atribuiu a decisão à confirmação prévia de que Lula e Flávio não compareceriam, mas o episódio reforçou entre a militância a sensação de candidatura sem rumo.
Segundo apurou O Fator, candidatos chegaram a estudar redigir uma carta conjunta para divulgar em um eventual dia de renúncia de Zema, hipótese contida internamente pela direção do Novo antes de avançar.
Ao assegurar a manutenção da campanha de Zema, interlocutores da cúpula nacional do Novo, citam o acordo com o vice na chapa, o senador Eduardo Girão, que abriu mão da pré-candidatura ao governo do Ceará para compor a chapa presidencial.
A possibilidade do Senado
Uma das saídas cogitadas foi Zema abandonar a disputa presidencial para concorrer ao Senado Federal por Minas. Enquanto dirigentes nacionais do Novo garantem que o ex-governador descarta renunciar, Marco Antônio Costa, o Superman, o atual ocupante da vaga, sinalizou a colegas de partido que não abrirá mão da candidatura.
Segundo pessoas próximas a Superman, ele e Zema não têm proximidade política relevante. O influenciador vem se aproximando do senador Cleitinho Azevedo, candidato ao governo de Minas pelo Republicanos e rival direto de Mateus Simões (PSD), apoiado pela coligação da qual o Novo faz parte e que foi vice-governador de Zema.
Nessa segunda, Cleitinho declarou apoio a Superman e a Domingos Sávio (PL) para as duas vagas à Casa Alta do Congresso Nacional, o que ampliou o desconforto de parte da cúpula estadual do Novo com a aproximação.