O ex-secretário de Estado Marcelo Aro, do PP, disse nesta quinta-feira (7) que possuía o aval de sua federação, composta também pelo União Brasil, para disputar o governo de Minas Gerais. A desistência, segundo ele, ocorreu por receio de que sua candidatura contribuísse para fragmentar a direita.
Na avaliação de Aro, neste momento, apenas o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, teria condições de unificar esse campo ideológico. Por isso, pediu que o partido do parlamentar reveja a decisão, tomada na instância nacional, de não lançá-lo no páreo.
“Faço um apelo para que o Republicanos tome a decisão de lançar Cleitinho candidato. Por que falo isso? Porque ainda acredito na unidade de nosso campo. Cleitinho tem 40% das intenções de voto. Eu não tenho essa porcentagem de votos, o (Luís Eduardo) Falcão (do Republicanos) não tem e o Flávio Roscoe (do PL) não tem. Mas Cleitinho tem. Ele tem densidade e musculatura eleitoral. Se Cleitinho for candidato a governador, não tenho dúvidas de que será o melhor quadro para nos representar nessa frente ideológica”, afirmou, em entrevista à Itatiaia.
Na quarta-feira (5), União e PP decidiram embarcar na candidatura à reeleição de Mateus Simões (PSD), enquanto Aro retomou o projeto de pleitear um assento no Senado Federal. O ex-chefe das pastas de Governo e da Casa Civil explicou que só concorreria ao Palácio Tiradentes se houvesse a formação de uma frente ampla à direita. A ideia era montar uma aliança que teria, além da federação, agremiações como Republicanos e PL.
“Eu tinha a oportunidade de ser candidato também. PP e União falaram que, se eu quisesse ser candidato a governador, eu poderia. Mas seria mais um nome para dividir nosso campo ideológico, e não estou nisso para um projeto pessoal. Toparia ser o nome se a gente não conseguisse a unidade. (Como) a gente não conseguiu, retirei meu nome de candidato a governador e voltei ao projeto inicial, do Senado”, pontuou.
Retrospectiva
Marcelo Aro rompeu com Mateus Simões na semana passada. À ocasião, cogitava tentar o governo caso a candidatura de Cleitinho não fosse viabilizada. De acordo com Aro, antes de pensar em encabeçar a chapa, buscou uma unidade em torno do pessedista e, posteriormente, do senador do Republicanos.
“A gente não conseguiu unir nosso campo no nome do Mateus. E aí, começou a fragmentar. Depois que a gente não conseguiu — e que houve minha ruptura com Mateus — tentamos unir nosso campo ideológico com Cleitinho. Só que, infelizmente, teve essas idas e vindas no partido dele e a gente não conseguiu consolidar o nome do Cleitinho, que era, sim, o nome mais palatável para o nosso campo”, prosseguiu.
Como O Fator mostrou, houve avanço em torno de Cleitinho no início desta semana. O parlamentar, contudo, anunciou a desistência na segunda-feira (3), após não abrir mão de ter o correligionário Luís Eduardo Falcão como companheiro de chapa. Àquele momento, o grupo que construía a aliança entendia que a vice deveria ficar com outra legenda, como o União Brasil, que chegou a apontar Danilo de Castro como opção — Castro, posteriormente, acabou compondo com Simões. Cabe recordar que, no dia seguinte à desistência, Cleitinho voltou atrás e solicitou aval do Republicanos para concorrer em Minas.
De acordo com Aro, o cordão que estava se formando acabou rompendo pouco tempo antes da oficialização da coalizão.
“Tinha a palavra dos presidentes nacionais e estaduais de que iríamos caminhar juntos. Teríamos 60% do tempo de televisão. Mas, infelizmente, nas últimas horas, na terça e na quarta, não conseguimos segurar. Saiu pelos dedos aquilo que tínhamos construído. Tentei de tudo. Não consegui. Assumo publicamente. Não sei por qual motivo ainda, mas a gente não conseguiu, nem para o Mateus, nem para o Cleitinho e nem para mim juntar nosso campo”, relatou.