Entidades e veículos de comunicação se manifestaram publicamente nesta semana, contrariados com a recusa do senador e candidato ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo, de participar de sabatinas e debates, não só desprezando um princípio basilar da democracia como desconsiderando a importância de a sociedade ouvir e conhecer melhor seus representantes.
Perante a população, sobretudo a menos instruída e mais afetada por todas as mazelas cotidianas, Cleitinho é visto como “um dos nossos”. Assim, pouco importa a esse estrato da sociedade se entrega – ou entregará – alguma coisa. Basta gravar um de seus vídeos sensacionalistas, berrando e xingando todo mundo, prometendo o que não tem a menor condição de cumprir, e tudo bem.
Porém, nem só de empulhação eleitoral vive uma campanha. É preciso conversar com agentes econômicos importantes, pois dali vem, via impostos, boa parte do sustento do Estado. Ao desprezar o debate com entidades como a Fecomércio, Cleitinho dá dois sinais claros. Primeiro: não me importo com vocês, pois tenho o povão do meu lado. Segundo: não tenho nada a falar. Pior ainda: não sei responder.
Ser gente fina não basta
O candidato reconhece-se, digamos, inexperiente e despreparado para o cargo de governador, mas aposta em sua honestidade – como se isso fosse um diferencial e não mera obrigação – e na capacidade de formar um bom time de secretários para conduzir o Palácio Tiradentes. Ao seu lado, tem um vice perfeitamente capaz de ajudá-lo nesse sentido. Mas também ao seu lado, no âmbito partidário, político e financeiro, figuras nada abonadoras remam em sentido contrário.
Como gosto muito dele – como pessoa, pois, como político, o considero péssimo – e a recíproca é verdadeira – talvez ele também me considere um péssimo analista, rs -, mantemos uma relação cordial e carinhosa, que espero sinceramente que continue assim. Sempre que conversamos, aliás, reforço pessoalmente minhas críticas.
O vazio de propostas práticas de Cleitinho e suas ideias liberticidas começam também, agora, a preocupar prefeitos de cidades que dependem da arrecadação estadual para sobreviver. Uma das promessas tresloucadas do senador é acabar com o IPVA e, sem o repasse do percentual que cabe a esses pequenos municípios, eles simplesmente morrem.
Assim, fica realmente muito difícil para esses prefeitos apoiar um candidato que: 1) não conversa com entidades e imprensa; 2) não vai a debates e sabatinas; e 3) propõe absurdos de ordem fiscal que não encontram respaldo na realidade.
Uma vez vencendo, o que fará o senador TikToker? Gravará vídeos criticando a si mesmo ou colocará em prática o que defende, arrebentando os cofres municipais Minas Gerais afora?
Eu sei a resposta. E Cleitinho, também.