O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o candidato mais votado da história do país para a Câmara dos Deputados. O parlamentar recebeu mais de 3 milhões de votos e superou a marca registrada quatro anos atrás.
O resultado foi confirmado neste domingo (4), com 99,99% das urnas apuradas. O mineiro ainda puxou outros 20 nomes do PL para a Câmara por meio do quociente eleitoral.
Há quatro anos, então vereador de Belo Horizonte e aos 26 anos, Nikolas recebeu 1.492.047 milhão de votos ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a maior votação do país naquele ano.
O número fez dele o terceiro deputado mais votado da história da Câmara, atrás de Eduardo Bolsonaro, com 1,84 milhão em 2018, e de Enéas Carneiro, com 1,57 milhão em 2002.
Nikolas completou 30 anos em maio, idade mínima para disputar o governo de Minas, e chegou a ser cotado para a sucessão estadual. A direção nacional do PL, no entanto, definiu ainda em 2024 que o deputado deveria tentar a reeleição.
O cálculo do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, considerou o fundo eleitoral, que é definido pelo número de deputados federais eleitos. A legenda chegou a pressionar o mineiro a concorrer por São Paulo para compensar a perda de puxadores de votos no estado.
Com Nikolas mantido em Minas, a função de puxador em São Paulo ficou com o vereador Lucas Pavanato (PL-SP), aliado do mineiro. Aos 28 anos, ele recebeu mais de 3 milhões de votos e foi o deputado federal mais votado do estado, à frente de Erika Hilton (Psol), que foi a mulher mais votada do país para o cargo.
O crescimento
O peso eleitoral de Nikolas gerou atritos nos últimos meses. Como mostrou O Fator, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou administrar o espaço político do deputado para evitar perda de protagonismo na legenda.
Isso porque, ao longo do mandato, Nikolas passou a ser tratado no PL como o principal nome do partido fora da família Bolsonaro, com pauta mais nacional do que mineira, e com desejos próprios.
Em janeiro, ele liderou uma caminhada de cerca de 255 quilômetros entre Paracatu e Brasília contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e passou a ser citado por Valdemar como futuro candidato à Presidência.
Ele também interferiu diretamente na montagem da chapa do PL em Minas. O deputado manifestou incômodo com a filiação de parlamentares com mandato vindos de outras siglas e chegou a cogitar publicamente a saída do partido.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, pediu a Nikolas e ao presidente estadual do PL, Domingos Sávio, que controlassem as diferentes alas da sigla em Minas. Além disso, deu ao correligionário carta branca para as negociações.